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ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

Um pesar colectivo

A imagem de Fehér deitado no relvado, sem reacção, deixou todos quantos estavam no Estádio D. Afonso Henriques em angústia. Jogadores, treinadores e médicos uniram-se à volta do avançado húngaro, e quem estava nas bancadas era como se estivesse perto dele também; a vontade era a mesma, que reagisse. Ainda se gritou para ajudar. "Fehér! Fehér!" Infelizmente, não chegou


O jogo aproxima-a-se do fim e o Benfica vencia pela margem mínima. Mas em segundos, tudo isso foi deixado de lado. Fehér, que acabara de ver um cartão amarelo, e já sem ninguém por perto porque o encontro prosseguia, cai no relvado. Os jogadores que se apercebem da queda, quer do Guimarães quer do Benfica, dão o alerta. Sokota e Cléber pedem logo auxílio e Tiago e Fernando Aguiar gritam pelos médicos.

Os elementos do banco vimaranense apercebem-se primeiro da gravidade do incidente, e entram em campo o massagista e o médico Salazar Coimbra, de pronto seguidos pelos responsáveis clínicos do Benfica. Perante a preocupação geral, Salazar Coimbra efectua respiração boca a boca a Fehér, enquanto os restantes elementos médicos tentam a reanimação cardíaca.

Além dos elementos médicos das duas equipas, os 25 bombeiros presentes no estádio dirigem-se prontamente para o relvado, a que mais tarde se junta uma unidade de reanimação cardíaca dos bombeiros e uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), esta última de prevenção no hospital. Passam quase 15 minutos. Apesar de todos os esforços, Fehér tem de ser transportado para o hospital, quase sem vida.
 

Tristeza no relvado


A gravidade da situação de Fehér não passou despercebida a ninguém e um silêncio sepulcral tomou conta do Estádio D. Afonso Henriques. Os jogadores do Benfica e do Vitória não contiveram as lágrimas, em acto de desespero e impotência. Todos se queriam inteirar do estado de saúde do avançado húngaro, mas o quarto árbitro não autorizou que ninguém do banco de suplentes entrasse no relvado, ao mesmo tempo que conversava com José António Camacho. Este, porém, não seguiu as recomendações e entrou dentro das quatro linhas acompanhado por quem estava a assistir ao jogo no banco. O técnico espanhol não guardou o que sentia e, depois de ter gritado por Fehér, não conseguiu evitar as lágrimas. Mãos na cabeça, abraços e camisolas na cara expressavam a dor causada por ver um colega de equipa e de profissão caído no relvado, inanimado.

Um momento de regozijo tomou conta de todos quando Fehér, por instantes, deu sinais positivos. O público nas bancadas tenta incentivar o futebolista húngaro tributando-lhe uma enorme ovação. "Miklos Fehér! Miklos Fehér!" Eram mensagens de força quando a ambulância que o transportava para o hospital saiu das quatro linhas. Infelizmente, não se sabe se o jogador, o homem, ainda as ouviu...