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ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

Meu menino querido

MANUEL CAJUDA foi o treinador que melhor explorou as qualidades futebolísticas de Fehér, quando ambos estiveram ao serviço do Sp. Braga. Ontem, quando com ele falámos, estava obviamente inconsolável: «Ele era o meu menino querido... »  

A bonita história da relação de Manuel Cajuda com Miklos Fehér começou no Verão de 2000, talvez até um pouco antes. O treinador entrara no Sp. Braga em Abril de 1999 e logo despertou para as qualidades futebolísticas do jogador, primeiro ao serviço do FC Porto, mais tarde no Salgueiros. E foi, precisamente, no início da temporada 2000/01 que Miklos Fehér entrou em Braga para ser jogador do Sporting local e para ser treinado por Manuel Cajuda. Ainda ninguém o sabia na altura, mas seria com a vermelha camisola do principal clube minhoto que o jogador húngaro conheceu os maiores sucessos: 14 golos apontados em 26 jogos, chegando a liderar, no início da época, a lista de melhores marcadores. Manuel Cajuda foi, pois, o homem que melhor conseguiu explorar as grandes qualidades de Fehér. 

«Era o número 1» 

Agora ao serviço do Marítimo, Manuel Cajuda chorou como poucos a morte de Fehér, um jogador que tratava como um filho. Queria-o à força no Marítimo, fez de tudo para conseguir levar o avançado para a Madeira. Até virou a cabeça ao húngaro, que não estava predisposto a sair do Benfica, mas que acabou por ceder aos desejos de Cajuda. Só que o Benfica não o libertou. Ficaram as conversas, de pai para filho, entre duas pessoas que se respeitavam muito e que nutriam grande admiração e afecto. «Era o meu menino querido », disse ontem Cajuda, tentado suster a emoção. Mais do que ninguém, o técnico do Marítimo tem legitimidade para falar de um amigo que partiu, que deixa saudades e um vazio por preencher. Ao longo do dia, Manuel Cajuda falou muito de Miklos Fehér, todos quiseram recolher o depoimento do técnico, que soube aproveitar, melhor que ninguém, as qualidades do avançado húngaro. «Tenho o privilégio de ter vivido com o Fehér os melhores momentos da minha carreira e da dele também», recorda com saudade. «Tive o privilégio de sentir as suas alegrias. Era o número um», reforçou o técnico do Marítimo, com a voz trémula, ressequida da dor. «Tinha a idade do meu filho mais velho. Brincávamos muito e, por razões óbvias, senti isto de uma forma inexplicável. A dor é muita», disse ainda o treinador, que jamais esquecerá a pessoa e o amigo. «Era humilde, muito educado e irradiava simpatia. Nunca vi qualquer defeito nele. Deu-me a sorte de viver a melhor fase da minha carreira mas, infelizmente, o meu menino querido partiu...».