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ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

Miki, Miki, Miki!

ARREPIANTE. Toda a equipa em choro compulsivo, abraçada em redor da urna de Fehér. «Miki, Miki, Miki», gritaram. Um grito que veio do fundo da alma. Com Camacho, Filipe Vieira e a família de Fehér banhada em lágrimas. E quem não soltou, naquele momento, uma lágrima que fosse?  

Jogadores, treinadores e equipa médica entraram no hall principal do estádio às 21:50. Miguel e o enfermeiro Duarte Pinto depositaram uma coroa de flores do plantel junto ao local onde seria depositada a urna de Fehér. Os jogadores começaram a chorar. Camacho chamou seis: Hélder, Simão, Zahovic, Nuno Gomes e Miguel (os capitães) mais Argel. Coube-lhes a tarefa de transportar o caixão.
A chegada do malogrado jogador aconteceu às 22:30. Foi recebido com palmas, inclusive dos milhares de pessoas que se acotovelavam junto à entrada e entoavam o seu nome. Os jogadores dão um abraço e ninguém consegue conter as lágrimas. Todos os companheiros rodeiam a urna, unidos. Rezam o Pai-Nosso. Depois, o choro compulsivo dos jogadores rasga todos os silêncios, perturba, emociona, desconcerta.  
Uma camisola número 29 é colocada em cima da urna. Não será usada por mais ninguém. E é neste momento, quando se acredita que nada mais poderá esmagar o sentimento de quem tem por missão relatar factos, que todos gritam: «Miki, Miki, Miki!». Soltou-se o grito em tons de raiva, de desespero, de saudade, de incredulidade. Porque não de incentivo nesta nova viagem que Fehér não escolheu mas de que aprenderá, como em vida, a tirar o melhor partido?
Camacho ainda mordeu os lábios durante muito tempo, mas por detrás de um homem que cultivou a imagem de durão está apenas um coração que também chora quando vê partir um dos seus. E ainda hoje soa naquela sala um grito profundo: «Miki, Miki, Miki...»