"Uma doença cardíaca congénita." Poderá ter sido esta a causa do trágico
desaparecimento de Miklos Fehér, domingo à noite, em Guimarães. A explicação
foi-nos avançada por Joaquim Fonseca Esteves, cardiologista e director do Centro
de Medicina Desportiva. "Em termos genéricos, os casos de morte súbita,
geralmente, acontecem em portadores de cardiopatias estruturais. Normalmente é
assim, devido a doenças cardíacas congénitas", explicou.
A confirmação deste cenário estará sempre dependente dos resultados definitivos
da autópsia, iniciada na segunda-feira mas que, para já, se revelou inconclusiva.
Agora, serão feitas análises, parte delas a tecidos recolhidos do organismo do
atleta, as quais podem ou não confirmar a existência do tal problema congénito.
Para além deste procedimento, deverão ser ainda realizadas análises bioquímicas
(identificam substâncias em circulação) e toxicológicas (servem para procurar
tóxicos, fármacos, drogas). Isto para se apurar se poderá ter existido alguma
justificação para, por exemplo, um eventual quadro de alteração eléctrica do
ritmo cardíaco ou uma arritmia de um ventrículo.
Para já sabe-se, somente, que Fehér não terá sido derrotado por um enfarte, por
um tromboembolismo pulmonar ou por um aneurisma cerebral, tudo circunstâncias
que, caso se tivessem verificado, seriam detectadas na autópsia.