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ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

LÁSZLO KOVÁCS ERA AMIGO, FOI PROFESSOR E TREINADOR DO JOVEM HÚNGARO
Ele chora por Fehér

Quando Lászlo Kovács aperta a camisola do FC Porto oferecida por Fehér contra o coração e olha para o nome do amigo, Marta Kovács, a mulher, não resiste e deixa cair as lágrimas pelo rosto. Há um silêncio que só o click da máquina fotográfica do Paulo Calado interrompe. O casal está incrédulo, não acredita e Marta abana a cabeça, como que querendo dizer-nos que Deus não podia pregar esta partida a um jovem de sorriso bonito.

Eles não falam inglês mas naquele momento não precisamos de palavras. Essas já as tínhamos arrancado, horas antes, a um homem que só lhe faltou pegar em Fehér ao colo. Lászlo Kovács foi o primeiro treinador de Miki, foi também seu professor, numa escola não muito longe do bloco de apartamento onde vive, na Rua Erfurt.

"Miki era muito inteligente e aprendia rapidamente todas as matérias. Tinha uma especial apetência pela gramática. Todos os professores dele estão tristes e acham tudo muito estranho. A morte é algo que não desejamos mas com 24 anos, quando se está na flor da juventude, é ainda mais difícil de compreender e de aceitar."

Lászlo Kovács, ainda hoje treinador das camadas jovens do Rába Eto, clube de Gyor que Fehér representou antes de assinar, em 1998, pelo FC Porto, passava habitualmente férias com os pais de Miki (também foi jogador de futebol) e recorda-se bem de, um belo dia de Verão, lhe ter pedido para passar pelo estádio para começar a dar os seus primeiros passos no futebol.

"No início era muito pequeno e franzino. Mas sempre foi avançado e tinha tanta velocidade que era conhecido como Speedy Gonzalez. A partir dos 14/15 anos registou um crescimento fantástico e foi por essa altura que lhe começaram a notar semelhanças com Jürgen Klinsmann."

À nossa frente temos um homem profundamente marcado pela tragédia, um homem que busca fotografias e registos como se essas memórias lhe permitissem devolver um menino que ele amava como um filho. "Um dia, tinha Miki 11 anos, disse ao Puskas que aquele pequeno ainda ia ser famoso. E recordo-me tão bem da alegria dele quando, no Porto - onde estive de férias, com o pai, durante duas semanas - recebeu das minhas mãos uma camisola que Puskas utilizara em 1954 em representação da selecção húngara. Ele olhou para o 10, na casa que fora do Madjer, e disse que também gostaria de utilizar o mesmo número. Como ficou feliz!"

Golo em 59 segundos

O primeiro salário que Fehér recebeu no Rába Eto foi de 600 euros. István Reszeli Soós, último treinador de Miki antes de abandonar o clube para assinar pelo FC Porto, lembra que lhe chamou alguns nomes antes de um jogo com o MTK para o incentivar.

"Entrou ao intervalo, com o resultado em 0-0, e 59 segundos depois estava a marcar. E ele sempre quis aprender inglês porque sabia que, dessa forma, teria mais facilidades em adaptar-se ao futebol num país estrangeiro. É triste saber que um dos nossos amigos morreu desta forma trágica."