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ADEUS FEHÉR
Superar todos os
fantasmas
O psicoterapeuta Vítor Cláudio, também professor de
Psicopatologia do ISPA, colega do psicólogo do Benfica, Pedro Almeida, recusa
traçar cenários sobre a forma como o grupo de trabalho do Benfica vai reagir à
morte de Fehér. «Dependerá sempre de factores individuais. O primeiro desafio do
psicólogo do Benfica é avaliar a ressonância que o luto está a provocar em cada
um dos jogadores, sendo diferente de caso para caso, conforme a proximidade com
Fehér ou a personalidade de cada um», começou por comentar. O processo começa,
assim, por recuperar cada uma das peças do puzzle. Depois, há que, «se
necessário, equilibrar toda a estrutura, como um todo». Importante que se
esclareça que «não existe uma relação pré-definida de causa/ efeito» entre a
morte de um ente querido e a forma como o luto é vivido. Dependerá da soma das
reacções individuais e da gestão das mesmas numa perspectiva de grupo. O luto
ganha aqui contornos específicos. «Houve a perda de um colega em acção. A morte
de um jovem, ainda por cima atleta. Ninguém estava à espera. Foi ainda uma morte
ao vivo. Tudo isto desencadeia emoções violentíssimas. Há que respeitar o tempo
interno de cada jogador. Tempo em que entra confronto com a perda», frisou. E
com a vulnerabilidade? «Correcto. Os jogadores confrontaram-se com a própria
morte. Soltaram-se alguns fantasmas. Afinal, morrer não é exclusivo dos velhos e
doentes. Uma situação destas destapa todos os medos. Há um confronto com o fim,
com a vulnerabilidade de cada um. Também aqui tem de haver uma intervenção,
conforme as necessidades de cada um.»
Cuidados com o pós-funeral
O luto tem várias fases. VítorCláudio considera que o período pós-funeral pode ser «ainda mais violento». «No pré-funeral há uma acção. Dolorosa, mas uma acção. No pós, há uma quebra». E é a partir daí que o processo entra numa fase decisiva. São várias as etapas, desde o choque, a incredulidade, o confronto com a morte, o processo de gestão e a racionalização da perda. Alertando a comunicação social para o papel que também lhe cabe, até «por questões éticas e deontológicas», termina com um apelo: «O recato é bom conselheiro. Deixem o homem gerir o seu próprio sentimento.»
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