Free Web Hosting by Netfirms
Web Hosting by Netfirms | Free Domain Names by Netfirms

   

            

      

 

       

ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

Superar todos os fantasmas

PEDRO ALMEIDA, psicólogo do Benfica, tem uma árdua tarefa à sua frente: a de ajudar todo o grupo de trabalho, individual e colectivamente, a lidar com o luto. «Cada caso é um caso», defende o psicoterapeuta Vítor Cláudio. Primeiro há que avaliar a forma como cada jogador irá gerir o luto, depois intervir e esperar que o tempo dê a sua habitual ajuda. E como a psicologia não obedece às regras da matemática, a avaliação fazse diariamente. Importa é estar atento e intervir. E ajudar o grupo a superar todos os fantasmas.

O psicoterapeuta Vítor Cláudio, também professor de Psicopatologia do ISPA, colega do psicólogo do Benfica, Pedro Almeida, recusa traçar cenários sobre a forma como o grupo de trabalho do Benfica vai reagir à morte de Fehér. «Dependerá sempre de factores individuais. O primeiro desafio do psicólogo do Benfica é avaliar a ressonância que o luto está a provocar em cada um dos jogadores, sendo diferente de caso para caso, conforme a proximidade com Fehér ou a personalidade de cada um», começou por comentar. O processo começa, assim, por recuperar cada uma das peças do puzzle. Depois, há que, «se necessário, equilibrar toda a estrutura, como um todo». Importante que se esclareça que «não existe uma relação pré-definida de causa/ efeito» entre a morte de um ente querido e a forma como o luto é vivido. Dependerá da soma das reacções individuais e da gestão das mesmas numa perspectiva de grupo. O luto ganha aqui contornos específicos. «Houve a perda de um colega em acção. A morte de um jovem, ainda por cima atleta. Ninguém estava à espera. Foi ainda uma morte ao vivo. Tudo isto desencadeia emoções violentíssimas. Há que respeitar o tempo interno de cada jogador. Tempo em que entra confronto com a perda», frisou. E com a vulnerabilidade? «Correcto. Os jogadores confrontaram-se com a própria morte. Soltaram-se alguns fantasmas. Afinal, morrer não é exclusivo dos velhos e doentes. Uma situação destas destapa todos os medos. Há um confronto com o fim, com a vulnerabilidade de cada um. Também aqui tem de haver uma intervenção, conforme as necessidades de cada um.»

Cuidados com o pós-funeral

O luto tem várias fases. VítorCláudio considera que o período pós-funeral pode ser «ainda mais violento». «No pré-funeral há uma acção. Dolorosa, mas uma acção. No pós, há uma quebra». E é a partir daí que o processo entra numa fase decisiva. São várias as etapas, desde o choque, a incredulidade, o confronto com a morte, o processo de gestão e a racionalização da perda. Alertando a comunicação social para o papel que também lhe cabe, até «por questões éticas e deontológicas», termina com um apelo: «O recato é bom conselheiro. Deixem o homem gerir o seu próprio sentimento.»