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ADEUS FEHÉR

1979-2004


 

O olhar triste que faz todos chorar

Miklos Fehér, Miki para os amigos que não o esquecem e não conseguem apagar da memória o horrível instante em que o avançado do Benfica caiu inanimado no relvado do estádio de Guimarães. Nenhum jogador queria aceitar o sucedido mas todos tiveram consciência que o ser tranquilo e de olhar triste não mais voltaria a recuperar. A desolação foi geral. Todos perguntam: «Porquê o Miki?» Resposta não há.

Miki morreu a sorrir, sorriso que teimava em esconder. Tudo porque dizia: «Sou tímido, introvertido e acima de tudo tranquilo.» Miki era o espelho da tranquilidade e por isso todos os jogadores do Benfica o viam como um amigo, um companheiro com quem era muito fácil conviver.
Entrou de mansinho no plantel do Benfica, a 1 de Agosto de 2002. Reencontrou Drulovic, Zahovic e Peixe, que já conhecia dos tempos em que vestiu de «azul-e-branco», e foi principalmente Dru e Za (como dizia) que o ajudaram na difícil tarefa de se ambientar à capital. Em Lisboa viveu perto deste dois amigos, que hoje não conseguem conter o choro, mas foi com Armando Sá que conviveu de perto no Benfica. O lateral foi colega de Fehér em todos os estágios e ambos se equipavam lado a lado no balneário. O cacifo do camisola 29 está vazio e Armando não consegue perceber porquê.

Armando vai recordar para sempre a última brincadeira que teve com o húngaro no balneário. Na quinta-feira Fehér levou uma bola do Benfica para os colegas assinarem. A bola era para oferecer. Todos assinaram mas Miki esqueceu-se de a levar e quando regressou ao balneário a bola tinha desaparecido. Nesse dia, a brincadeira foi geral. Mantorras disse a Fehér que tinha sido Armando a roubá-la e Armando devolveu a acusação a Mantorras. A bola não chegou a aparecer, mas nesse dia Miki sorriu com os colegas. O momento foi de plena descontracção.

Armando lembra o último estágio em Guimarães e as conversas que teve com o companheiro de quarto. Palavras que agora não consegue dizer. O lateral rezou mas Deus não o ouviu e roubou-lhe o companheiro. Na memória estão as palavras ditas no hospital de Guimarães e a informação que Miki não mais iria voltar a juntar-se ao grupo. As saudades já começam a apertar.

A vida fintou-lhe os objectivos. Fehér estava determinado em singrar de águia ao peito e alcançar na Luz os momentos de sucesso que conseguiu ao serviço do Braga. Jovem optimista, mas pouco expansivo, Miki acreditava (mais do que ninguém) que a sua hora de glória ia chegar. Infelizmente, a determinação do húngaro foi insuficiente para se manter vivo. Morreu depois de um sorriso. Os campeões morrem a sorrir, Miki!