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ADEUS FEHÉR
Miklos Fehér, Miki para os amigos que não o esquecem e não conseguem apagar da memória o horrível instante em que o avançado do Benfica caiu inanimado no relvado do estádio de Guimarães. Nenhum jogador queria aceitar o sucedido mas todos tiveram consciência que o ser tranquilo e de olhar triste não mais voltaria a recuperar. A desolação foi geral. Todos perguntam: «Porquê o Miki?» Resposta não há. Miki morreu a sorrir, sorriso que teimava
em esconder. Tudo porque dizia: «Sou tímido, introvertido e acima de tudo
tranquilo.» Miki era o espelho da tranquilidade e por isso todos os
jogadores do Benfica o viam como um amigo, um companheiro com quem era muito
fácil conviver. Armando vai recordar para sempre a última brincadeira que teve com o húngaro no balneário. Na quinta-feira Fehér levou uma bola do Benfica para os colegas assinarem. A bola era para oferecer. Todos assinaram mas Miki esqueceu-se de a levar e quando regressou ao balneário a bola tinha desaparecido. Nesse dia, a brincadeira foi geral. Mantorras disse a Fehér que tinha sido Armando a roubá-la e Armando devolveu a acusação a Mantorras. A bola não chegou a aparecer, mas nesse dia Miki sorriu com os colegas. O momento foi de plena descontracção. Armando lembra o último estágio em Guimarães e as conversas que teve com o companheiro de quarto. Palavras que agora não consegue dizer. O lateral rezou mas Deus não o ouviu e roubou-lhe o companheiro. Na memória estão as palavras ditas no hospital de Guimarães e a informação que Miki não mais iria voltar a juntar-se ao grupo. As saudades já começam a apertar. A vida fintou-lhe os objectivos. Fehér estava determinado em singrar de águia ao peito e alcançar na Luz os momentos de sucesso que conseguiu ao serviço do Braga. Jovem optimista, mas pouco expansivo, Miki acreditava (mais do que ninguém) que a sua hora de glória ia chegar. Infelizmente, a determinação do húngaro foi insuficiente para se manter vivo. Morreu depois de um sorriso. Os campeões morrem a sorrir, Miki!
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