|
|
|
Admirável!
Muito custou ao Benfica avançar para a construção de um centro de estágio,
mas o mínimo que pode dizer-se da obra já idealizada é que excede as melhores
expectativas. À espera dos atletas do Benfica estará muito mais que uma
estrutura física com todas as condições para o ensino e prática do futebol.
Existiu, desde o início, a preocupação de respeitar o meio em que a obra se
insere. Parte do terreno possui carácter de reserva ecológica e havia a
necessidade de preservar conceitos relacionados com questões ambientais.
Mas os pais do projecto, Pedro George e Isabel Pessoa, fizeram bem mais do que
isso. Não só decidiram respeitar as regras que defendem a mãe natureza, como
ainda se aproveitaram dela, o que vai possibilitar que a oficina encarnada
funcione em fundo verde. A paisagem é, indubitavelmente, um dos trunfos do
projecto. O complexo estará, aliás, ladeado por água, ou não tivesse por
vizinho o estuário do Tejo, e vai crescer numa zona rica em fauna e flora.
Cinco campos a diferentes altitudes
Serão cinco os campos a construir, quatro deles relvados, e vão estender-se pelo terreno a níveis diferentes de altitude, consoante o local onde sejam feitos. Os declives, pequenos montes e vales farão com que se jogue futebol a diferentes níveis e darão mesmo uma sensação tridimensional. O campo número 4 será aquele que ficará num plano mais elevado, precisamente 15 metros acima da linha da água, enquanto os restantes se elevarão a 12, 9, 7 e 5 metros. Dois dos campos terão direito a iluminação própria e o principal estará à disposição dos utentes sem perturbar as equipas que estiverem em estágio. Bancadas, com capacidade para 1500 pessoas, bilheteiras, casas de banho, todos estes equipamentos são independentes e até haverá uma segunda entrada exclusivamente destinada aos utentes deste relvado.
Amigo do ambiente
Os acessos
actuais não são ainda os ideais. Quem se se deslocar pelo próprio pé tem a
possibilidade de apanhar o barco em Lisboa e sair justamente no Seixal, mas também
o pode fazer através de autocarro. Apenas quando estiver concluído o Plano
Rodoviário do Seixal se poderá dizer com inteira justiça que o centro de estágio
estará dotado de óptimas acessibilidades. O metro de superfíce só daqui por
alguns anos chegará à cidade e mesmo quem utilize o automóvel sofrerá um
pouco para chegar ao centro de estágio. Os primeiros tempos serão, porém, os
mais complicados, mas neste aspecto o Benfica nada pode fazer.
Ao alcance dos encarnados está, todavia, a preservação do vizinho rio Tejo.
Para o efeito será contruída uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR).
Um dos grandes poluídores dá pelo nome de actividade agrícola. A relva vai
crescer e o Benfica terá de adubar os relvados, pelo que as águas de rega serão
reconduzidas para a ETAR e só depois de devidamente tratadas serão
encaminhadas para o rio. A garantia foi dada pela equipa que desenhou o projecto
e o edifício está contemplado para um dos extremos do complexo.
Loteamento não trará prejuízos
O emblema da águia
usufruirá de 15 hectares, enquanto outros 22, entretanto negociados com a
empresa Euroárea, serão destinados à construção de um loteamento. Entre os
dois empreendimentos estará uma vedação que não ferirá a paisagem
envolvente e fará com que a vocação do centro de estágio seja adulterada.
Mas, ainda assim, do lado de fora da oficina encarnada não estarão apenas prédios
e mais prédios. Uma escola vai nascer numa área muito próxima do centro de
estágio, muitas zonas verdes e outras destinadas ao lazer estão já prometidas,
e a Câmara Municipal do Seixal não vai abdicar de um vasto complexo desportivo
que ficará à disposição dos munícipes. A Euroárea terá a palavra.