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Jornada #30 -  3 de Maio 2003

BENFICA - 1  SPORITNG - 2

 

CRÓNICA
Benfica-Sporting, 1-2: Comandos de Bölöni estragam festa à águia

Duas operações de comando atrás das linhas inimigas, uma estratégia bem delineada e alguma sorte no final, quando o desgaste já impedia os jogadores de colocar em campo as ideias do treinador, valeram ontem a Laszlo Bölöni a primeira vitória sobre o Benfica desde que está em Portugal.

Quis o destino que tal sucedesse no último "derby" do romeno, quatro dias depois de ficar a saber que não vão renovar-lhe o contrato e na data em que o Benfica se preparava para festejar a conquista matemática de um lugar na Liga dos Campeões. Para os encarnados, a festa deverá ser apenas uma questão de tempo (faltam-lhes quatro pontos em outros tantos jogos).

Para os leões, tratou-se sobretudo de mostrar um último assomo de dignidade: o campeão passa o ceptro de cabeça levantada. E está a quatro pontos apenas de assegurar uma vaga na Taça UEFA.

Num final de época em que os adeptos benfiquistas suspiram pela continuidade de Camacho e os sportinguistas desesperam pelo momento em que verão Bölöni pelas costas, o romeno mostrou que sabe mais de futebol do que alguns quiseram fazer crer e deu aos críticos um presente de despedida. Avaliou a sua equipa e a do Benfica, percebeu que era a meio-campo que o adversário podia impor leis e anulou essa fase do jogo.

Mandou fazer marcações individuais aos homens mais avançados do Benfica; ignorou o meio-campo, onde Rui Bento era quase sempre um homem só, apenas com a companhia episódica de Hugo quando a equipa tinha a bola e o defesa podia largar Zahovic; e mandou os jogadores abusarem do futebol directo, a única forma de activar o quarteto de atacantes as vezes suficientes para fazerem mossa.

Desta forma, quando Camacho deu por isso, o Sporting já ganhava por 2-0. Com dois golos que mais pareceram duas operações de comandos.

Camacho reagiu bem, trocando Tiago por Sokota, assumindo o 4x4x2 e obrigando Bölöni a mudar de estratégia. Hugo, até aí irrepreensível na marcação a Zahovic, teve que recuar para seguir o croata, passando o Sporting a estruturar-se atrás com três defesas-centrais.

Mesmo assim, até ao intervalo, graças ao trabalho de Quaresma, Kutuzov, Niculae e, especialmente, João Pinto, sempre solícito para vir ajudar a defender e a organizar, o jogo manteve-se equilibrado. Já não foi o que sucedeu na segunda parte, altura em que, devido ao desgaste dos avançados, a equipa do Sporting partiu ao meio.

Está tudo nos números: na segunda parte, o Sporting fez metade das faltas e metade dos remates dos primeiros 45 minutos.

Viu-se aí um Benfica com bom trato de bola, preocupação em variar as jogadas pelos dois flancos, respeito pelos princípios mais atraentes do jogo e capacidade para encostar o Sporting atrás.

O maior sufoco durou 15 minutos (cinco remates até aos 57") e até estava a atenuar-se quando o Benfica ganhou novo alento graças ao golo de Sokota, a que se seguiram mais três ocasiões claras de golo. Aí, quando a corda já não esticava (só Quaresma mantinha a defesa encarnada em sentido), foi a vez de o Sporting ter alguma sorte, obrigando os adeptos benfiquistas a adiar a festa. Tal como estes há um ano, não quiseram ser "cabeçudos".

Árbitro algarvio recordado

Nuno Mendes, o árbitro de 27 anos, que morreu de ataque cardíaco, depois dos incidentes registados na final da Taça da AF Algarve, foi recordado no Jamor, com o habitual minuto de silêncio, que antecedeu o apito inicial. Pena que a claque sportinguista não tenha respeitado a homenagem.

 

 

 APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Sporting: Águias sem golpe de asa

O Benfica vestiu-se de equipa dócil e sem iniciativa, na linha do que já tinha sucedido no jogo com o FC Porto. Camacho tem o 4x3x3 mais ou menos cristalizado e para já parece não haver soluções (jogadores?) que permitam, no terreno, moldar a equipa de modo a contrariar as "nuances" tácticas do adversário. Porque o espanhol, no banco, não está disposto a condescender muito. Que joguem à sua maneira

MOREIRA - Não teve um jogo cheio de trabalho, mas sofreu dois golos, logo, torna-se difícil justificar uma classificação positiva para o seu trabalho. No primeiro golo, Quaresma, bem enquadrado com a baliza, não lhe deu hipóteses; mais tarde, a sua defesa esqueceu-se de marcar João Pinto, que teve poucas dificuldades em batê-lo. Mau dia para ser o último obstáculo.

MIGUEL - O herdeiro de Cafú começou o jogo em grandes dificuldades, face à ameaça que constituía Quaresma e os golpes profundos que desferia na defesa do Benfica. Na segunda parte, o leão mudou de flanco e Miguel ficou com o corredor livre para atacar. O golo nasce de uma iniciativa sua e o empate esteve perto. Quando der melhor sequência aos "slaloms", ai Cafú...

HÉLDER - Niculae, Kutuzov, às vezes Quaresma- foi demasiada gente a passar-lhe à frente, o que descaracterizou por completo o jogo-tipo para que Hélder ainda tem pernas: um só adversário bem definido pela frente e ele a jogar mais nas vantagens da colocação, do que em intervenções rápidas e precisas. Viu o cartão amarelo por evitar a progressão de Quaresma.

JOÃO MANUEL PINTO - O jogo foi mau para quem tinha de defender e o Benfica não teve claramente resposta para as surpresas que Bölöni preparara. Muito menos as tinha João Manuel Pinto, que ficou logo condicionado na acção de Quaresma que deu o primeiro golo: recuou, recuou, recuou... e o ângulo a crescer para o leão. Não tem, no entanto, mais culpas do que os outros.

RICARDO ROCHA - Aparentemente, Rocha era o homem indicado para ajudar Hélder e João Manuel Pinto frente a dois avançados poderosos como Niculae e Kutuzov, o pior foi quando Quaresma lhe caiu em cima, aí foi o fim e viu-se bem que não tinha capacidade para acompanhar o leão. No lance do golo, enfim, João Pinto não era "seu", mas era ele quem estava mais perto.

PETIT - Esteve mais solitário do que o habitual, na cobertura do meio-campo defensivo, mas não terá sido isso que o impediu de jogar à sua maneira. Correu muito na horizontal, fez algumas (poucas) recuperações, rematou sem sucesso e, na segunda parte, até ganhou ascendência na condução do jogo. Mas teve um pecado: João Pinto estava à sua guarda e, no lance do golo, rematou à vontade.

TIAGO - Esteve 37 minutos em campo. E foram 37 minutos de sofrimento. Se é verdade que Rui Bento não lhe deu tempo para pensar e espaço para jogar, também se tornou evidente que não estava a jogar com a velocidade necessária para fugir à marcação e Camacho não teve grandes alternativas senão substituí-lo. A equipa ganhou com isso, pouco, mas ganhou.

GEOVANNI - Começou na direita, passou para a esquerda, voltou à direita, trocou de novo, enfim, não entrou bem no jogo, e deu-se mal com os adversários (Rui Jorge e César Prates). Foi substituído por não ter apresentado soluções que permitissem à equipa fugir ao espartilho construído pelo Sporting. Sobrou vontade onde faltou imaginação e capacidade para desequilibrar.

ZAHOVIC - Zahovic é o 10, mas não tem a percepção, pelo menos histórica, do que isso significa. Foi expulso numa “troca de galhardetes” disparatada, quando ele próprio subia de rendimento e a equipa acalentava a perspectiva justificada do empate. É pena que o bom Zahovic apareça cada vez menos e o mau não precise de fazer muito para se fazer notar. O Benfica precisa dele?

SIMÃO - César Prates não foi um adversário fácil e Simão só se viu na direita, nomeadamente quando, aos 8’, conseguiu ganhar a linha e fez um cruzamento difícil para a defesa do Sporting. Apareceu depois já sobre o intervalo, quando, na marcação de um livre, fez a bola bater na barreira, quase enganando Nélson. Não tem motivos para estar satisfeito com o que fez frente à sua antiga equipa.

NUNO GOMES - O ponta-de-lança que marca poucos golos, mas trabalha muito para os fazer voltou a aparecer. Protagonizou quatro acções de área, todas com marca G, sendo a primeira (47") a mais aparatosa de todas: drible com o pé direito e remate com o esquerdo à malha lateral. Acabou substituído, quando um certo Benfica de braços caídos já o tinha deixado esgotar-se em trabalhos demasiados para um homem só. Viu-se mais uma vez que Nuno Gomes é um avançado solidário, a quem, muitas vezes, falta a solidariedade da equipa.

SOKOTA - Marcou um golo acidental, depois de uma grande jogada de Miguel e de uma queda de Roger, facto que até acabou por ser um bom prémio para a forma desinibida como entrou no jogo. É um avançado menos trabalhador do que Nuno Gomes, mas ontem revelou uma vantagem: enfrenta os adversários de frente e consegue criar-lhes maiores dificuldades, fruto da sua capacidade técnica.

ROGER - É um talento indiscutível. Entrou para apoiar directamente Sokota, mas a expulsão de Zahovic obrigou-o a recuar, alargando-lhe o raio de acção, facto que, paradoxalmente, até o beneficiou, apesar da sua deficiente condição física. Em boas condições, sem lesões a apoquentá-lo, é titular. E Camacho já deu sinais de perceber que ele é uma opção de grande valor.

DRULOVIC - Entrou para o lugar de Geovanni e, por via disso, Simão fixou-se definitivamente na direita, enquanto ele foi para a esquerda. A equipa ficou mais equilibrada e agressiva, mas depois veio o pior (a expulsão de Zahovic) e o efeito da substituição perdeu-se. Tentou surpreender Nélson com um remate inesperado (85’), quando toda a gente esperava um cruzamento, mas foi mal sucedido.

 

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-SPORTING, 1-2 (Sokota 74'; Quaresma 10', João Pinto 34')

21:31 - FINAL DA PARTIDA.

90 + 2 m - Cartão AMARELO a Pedro Barbosa, por falta sobre Simão.

90 + 1 m - Grande jogada benfiquista em contra-ataque, com Miguel a iniciá-la e a concluí-la. O remate é que saiu por cima da trave.

87 m - Substituição no Sporting: TOÑITO rende Niculae.

80 m - Substituição no Benfica: DRULOVIC rende Geovanni.

79 m - Zahovic vê também o cartão VERMELHO directo, devido à confusão com João Pinto. Tudo devido ao facto de o benfiquista tentar que o sportinguista saísse mais depressa do relvado para ser substituído. De cabeça perdida, o esloveno corre atrás de João Pinto mas é agarrado por colegas.

78 m - Cartão VERMELHO directo a João Pinto, por agressão a Zahovic. O Sporting fica reduzido a dez elementos. O médio encarnado fica caído no relvado.

77 m - Zahovic remata ligeiramente por cima da trave, na sequência de um pontapé de canto.

75 m - Cartão AMARELO a João Pinto, por protestos.

74 m - GOLO DO BENFICA, por SOKOTA
Jogada individual de Miguel, que coloca em Roger na área. O brasileiro é derrubado por Beto mas a bola sobra para Sokota que bate Nélson pela primeira vez.

71 m - Perdida incrível de Quaresma, atirando ao lado do poste direito quando surgia isolado frente a Moreira.

69 m - Substituição no Benfica: ROGER rende Nuno Gomes.

67 m - Substituição no Sporting: QUIROGA rende Hugo.

66 m - Quaresma arranca pela direita, vai à linha de fundo e cruza para a área, onde surge Hélder a efectuar o corte para canto.

64 m - Substituição no Sporting: PEDRO BARBOSA rende Kutuzov.

57 m - Nuno Gomes, à meia volta, remata para mais uma defesa de Nélson.

56 m - Cartão AMARELO a Hélder, por falta sobre Quaresma.

55 m - Cartão AMARELO a Rui Jorge, por falta sobre Geovanni.

54 m - Nuno Gomes trabalha bem à entrada da área e remata rasteiro ao lado do poste direito.

53 m - Nuno Gomes cai na área sportinguista em luta com Beto e fica a reclamar falta mas o árbitro manda seguir o jogo.

51 m - Cabeceamento de João Manuel Pinto para defesa atenta de Nélson.

48 m - Excelente trabalho de Sokota na área leonina, livrando-se de Rui Jorge e rematando às malhas laterais.

47 m - Rui Bento ganha espaço à entrada da área e atira por cima da barra.

46 m - Zahovic remata ao lado do poste esquerdo da baliza de Nélson.

20:42 - COMEÇO DO SEGUNDO TEMPO.

20:25 - FINAL DA PRIMEIRA PARTE.

45 m - Livre de Simão em zona frontal, com a bola a sair ao lado do poste esquerdo após um ligeiro desvio na barreira sportinguista.

38 m - Nélson defende sem problemas um cabeceamento de Nuno Gomes.

37 m - Substituição no Benfica: SOKOTA rende Tiago.

34 m - GOLO DO SPORTING, por JOÃO PINTO.
Rui Jorge marca um livre no flanco esquerdo do ataque leonino com um centro para área, onde aparece João Pinto, ao segundo poste, a ganhar espaço e a rematar para a baliza, de nada valendo Hélder que tentava evitar o golo sobre a linha.

30 m - Cartão AMARELO a Petit, por falta sobre João Vieira Pinto.

29 m - Cartão AMARELO a Niculae.

27 m - Geovanni atrasa para Petit, que remata de longe, por cima da trave.

23 m - Bom cruzamento de Ricardo Rocha da esquerda e Zahovic cabeceia ligeiramente ao lado.

18 m - Simão, na esquerda, flecte para o meio e remata com o pé direito para nova defesa segura de Nélson.

11 m - Cartão AMARELO a Quaresma, por agarrar Miguel.

10 m - GOLO DO SPORTING, por QUARESMA
Ricardo Quaresma ganha uma bola a Tiago sobre a esquerda e arranca para a área, rematando forte e colocando a bola junto ao poste direito da baliza de Moreira.

9 m - Zahovic, sobre a direita, remata com o pé esquerdo para mais uma defesa atenta de Nélson.

8 m - César Prates, no momento certo, desvia pela linha de fundo, impedindo que um passe de Simão chegasse a Nuno Gomes na conclusão de um contra-ataque dos encarnados.

6 m - Centro de Rui Bento e João Pinto, de cabeça, faz um desvio subtil para... as mãos de Moreira.

5 m - Livre directo de Zahovic, sobre o flanco direito, mas Nélson consegue afastar com os punhos.

2 m - Livre apontado por Simão sobre a esquerda, Zahovic não consegue o remate e a bola sobra para Hélder, que remata por cima.

19:38 - INÍCIO DA PARTIDA. Antes do apito inicial, realizou-se um minuto de silêncio em memória de Nuno Mendes, árbitro falecido esta semana no Algarve.

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SUPERLIGA - 30ª JORNADA

BENFICA-SPORTING

Estádio Nacional, no Jamor
Hora: 19:30
Árbitro: António Costa (Setúbal)

BENFICA - Moreira, Miguel, João Manuel Pinto, Hélder, Ricardo Rocha, Petit, Tiago, Geovanni, Zahovic, Simão e Nuno Gomes.
Treinador: José Antonio Camacho.
Suplentes: Bossio, Armando, Roger, Drulovic, Ednilson, Andrade e Sokota.

SPORTING - Nélson, Hugo, Contreras, Beto, César Prates, Rui Bento, Rui Jorge, Quaresma, João Pinto, Kutuzov e Niculae.
Treinador: Laszlo Bölöni.
Suplentes: Tiago, Quiroga, Pedro Barbosa, Sá Pinto, Tello, Paulo Bento e Toñito.