CRÓNICA
Benfica-Sporting, 1-2: Comandos de Bölöni estragam festa à águia
Duas operações de comando atrás das linhas inimigas, uma estratégia
bem delineada e alguma sorte no final, quando o desgaste já impedia
os jogadores de colocar em campo as ideias do treinador, valeram
ontem a Laszlo Bölöni a primeira vitória sobre o Benfica desde
que está em Portugal.
Quis o destino que tal sucedesse no último "derby" do
romeno, quatro dias depois de ficar a saber que não vão
renovar-lhe o contrato e na data em que o Benfica se preparava para
festejar a conquista matemática de um lugar na Liga dos Campeões.
Para os encarnados, a festa deverá ser apenas uma questão de tempo
(faltam-lhes quatro pontos em outros tantos jogos).
Para os leões, tratou-se sobretudo de mostrar um último assomo de
dignidade: o campeão passa o ceptro de cabeça levantada. E está a
quatro pontos apenas de assegurar uma vaga na Taça UEFA.
Num final de época em que os adeptos benfiquistas suspiram pela
continuidade de Camacho e os sportinguistas desesperam pelo momento
em que verão Bölöni pelas costas, o romeno mostrou que sabe mais
de futebol do que alguns quiseram fazer crer e deu aos críticos um
presente de despedida. Avaliou a sua equipa e a do Benfica, percebeu
que era a meio-campo que o adversário podia impor leis e anulou
essa fase do jogo.
Mandou fazer marcações individuais aos homens mais avançados do
Benfica; ignorou o meio-campo, onde Rui Bento era quase sempre um
homem só, apenas com a companhia episódica de Hugo quando a equipa
tinha a bola e o defesa podia largar Zahovic; e mandou os jogadores
abusarem do futebol directo, a única forma de activar o quarteto de
atacantes as vezes suficientes para fazerem mossa.
Desta forma, quando Camacho deu por isso, o Sporting já ganhava por
2-0. Com dois golos que mais pareceram duas operações de comandos.
Camacho reagiu bem, trocando Tiago por Sokota, assumindo o 4x4x2 e
obrigando Bölöni a mudar de estratégia. Hugo, até aí irrepreensível
na marcação a Zahovic, teve que recuar para seguir o croata,
passando o Sporting a estruturar-se atrás com três
defesas-centrais.
Mesmo assim, até ao intervalo, graças ao trabalho de Quaresma,
Kutuzov, Niculae e, especialmente, João Pinto, sempre solícito
para vir ajudar a defender e a organizar, o jogo manteve-se
equilibrado. Já não foi o que sucedeu na segunda parte, altura em
que, devido ao desgaste dos avançados, a equipa do Sporting partiu
ao meio.
Está tudo nos números: na segunda parte, o Sporting fez metade das
faltas e metade dos remates dos primeiros 45 minutos.
Viu-se aí um Benfica com bom trato de bola, preocupação em variar
as jogadas pelos dois flancos, respeito pelos princípios mais
atraentes do jogo e capacidade para encostar o Sporting atrás.
O maior sufoco durou 15 minutos (cinco remates até aos 57") e
até estava a atenuar-se quando o Benfica ganhou novo alento graças
ao golo de Sokota, a que se seguiram mais três ocasiões claras de
golo. Aí, quando a corda já não esticava (só Quaresma mantinha a
defesa encarnada em sentido), foi a vez de o Sporting ter alguma
sorte, obrigando os adeptos benfiquistas a adiar a festa. Tal como
estes há um ano, não quiseram ser "cabeçudos".
Árbitro algarvio recordado
Nuno Mendes, o árbitro de 27 anos, que morreu de ataque cardíaco,
depois dos incidentes registados na final da Taça da AF Algarve,
foi recordado no Jamor, com o habitual minuto de silêncio, que
antecedeu o apito inicial. Pena que a claque sportinguista não
tenha respeitado a homenagem.
APRECIAÇÃO
À EQUIPA
Benfica frente ao Sporting: Águias sem golpe de asa
O Benfica vestiu-se de equipa dócil e sem iniciativa, na linha do
que já tinha sucedido no jogo com o FC Porto. Camacho tem o 4x3x3
mais ou menos cristalizado e para já parece não haver soluções (jogadores?)
que permitam, no terreno, moldar a equipa de modo a contrariar as
"nuances" tácticas do adversário. Porque o espanhol, no
banco, não está disposto a condescender muito. Que joguem à sua
maneira
MOREIRA - Não teve um jogo cheio de trabalho, mas sofreu dois golos,
logo, torna-se difícil justificar uma classificação positiva para
o seu trabalho. No primeiro golo, Quaresma, bem enquadrado com a
baliza, não lhe deu hipóteses; mais tarde, a sua defesa esqueceu-se
de marcar João Pinto, que teve poucas dificuldades em batê-lo. Mau
dia para ser o último obstáculo.
MIGUEL - O herdeiro de Cafú começou o jogo em grandes dificuldades,
face à ameaça que constituía Quaresma e os golpes profundos que
desferia na defesa do Benfica. Na segunda parte, o leão mudou de
flanco e Miguel ficou com o corredor livre para atacar. O golo nasce
de uma iniciativa sua e o empate esteve perto. Quando der melhor
sequência aos "slaloms", ai Cafú...
HÉLDER - Niculae, Kutuzov, às vezes Quaresma- foi demasiada gente
a passar-lhe à frente, o que descaracterizou por completo o
jogo-tipo para que Hélder ainda tem pernas: um só adversário bem
definido pela frente e ele a jogar mais nas vantagens da colocação,
do que em intervenções rápidas e precisas. Viu o cartão amarelo
por evitar a progressão de Quaresma.
JOÃO MANUEL PINTO - O jogo foi mau para quem tinha de defender e o
Benfica não teve claramente resposta para as surpresas que Bölöni
preparara. Muito menos as tinha João Manuel Pinto, que ficou logo
condicionado na acção de Quaresma que deu o primeiro golo: recuou,
recuou, recuou... e o ângulo a crescer para o leão. Não tem, no
entanto, mais culpas do que os outros.
RICARDO ROCHA - Aparentemente, Rocha era o homem indicado para
ajudar Hélder e João Manuel Pinto frente a dois avançados
poderosos como Niculae e Kutuzov, o pior foi quando Quaresma lhe
caiu em cima, aí foi o fim e viu-se bem que não tinha capacidade
para acompanhar o leão. No lance do golo, enfim, João Pinto não
era "seu", mas era ele quem estava mais perto.
PETIT - Esteve mais solitário do que o habitual, na cobertura do
meio-campo defensivo, mas não terá sido isso que o impediu de
jogar à sua maneira. Correu muito na horizontal, fez algumas (poucas)
recuperações, rematou sem sucesso e, na segunda parte, até ganhou
ascendência na condução do jogo. Mas teve um pecado: João Pinto
estava à sua guarda e, no lance do golo, rematou à vontade.
TIAGO - Esteve 37 minutos em campo. E foram 37 minutos de sofrimento.
Se é verdade que Rui Bento não lhe deu tempo para pensar e espaço
para jogar, também se tornou evidente que não estava a jogar com a
velocidade necessária para fugir à marcação e Camacho não teve
grandes alternativas senão substituí-lo. A equipa ganhou com isso,
pouco, mas ganhou.
GEOVANNI - Começou na direita, passou para a esquerda, voltou à
direita, trocou de novo, enfim, não entrou bem no jogo, e deu-se
mal com os adversários (Rui Jorge e César Prates). Foi substituído
por não ter apresentado soluções que permitissem à equipa fugir
ao espartilho construído pelo Sporting. Sobrou vontade onde faltou
imaginação e capacidade para desequilibrar.
ZAHOVIC - Zahovic é o 10, mas não tem a percepção, pelo menos
histórica, do que isso significa. Foi expulso numa “troca de
galhardetes” disparatada, quando ele próprio subia de rendimento
e a equipa acalentava a perspectiva justificada do empate. É pena
que o bom Zahovic apareça cada vez menos e o mau não precise de
fazer muito para se fazer notar. O Benfica precisa dele?
SIMÃO - César Prates não foi um adversário fácil e Simão só
se viu na direita, nomeadamente quando, aos 8’, conseguiu ganhar a
linha e fez um cruzamento difícil para a defesa do Sporting.
Apareceu depois já sobre o intervalo, quando, na marcação de um
livre, fez a bola bater na barreira, quase enganando Nélson. Não
tem motivos para estar satisfeito com o que fez frente à sua antiga
equipa.
NUNO GOMES - O ponta-de-lança que marca poucos golos, mas trabalha
muito para os fazer voltou a aparecer. Protagonizou quatro acções
de área, todas com marca G, sendo a primeira (47") a mais
aparatosa de todas: drible com o pé direito e remate com o esquerdo
à malha lateral. Acabou substituído, quando um certo Benfica de
braços caídos já o tinha deixado esgotar-se em trabalhos
demasiados para um homem só. Viu-se mais uma vez que Nuno Gomes é
um avançado solidário, a quem, muitas vezes, falta a solidariedade
da equipa.
SOKOTA - Marcou um golo acidental, depois de uma grande jogada de
Miguel e de uma queda de Roger, facto que até acabou por ser um bom
prémio para a forma desinibida como entrou no jogo. É um avançado
menos trabalhador do que Nuno Gomes, mas ontem revelou uma vantagem:
enfrenta os adversários de frente e consegue criar-lhes maiores
dificuldades, fruto da sua capacidade técnica.
ROGER - É um talento indiscutível. Entrou para apoiar directamente
Sokota, mas a expulsão de Zahovic obrigou-o a recuar, alargando-lhe
o raio de acção, facto que, paradoxalmente, até o beneficiou,
apesar da sua deficiente condição física. Em boas condições,
sem lesões a apoquentá-lo, é titular. E Camacho já deu sinais de
perceber que ele é uma opção de grande valor.
DRULOVIC - Entrou para o lugar de Geovanni e, por via disso, Simão
fixou-se definitivamente na direita, enquanto ele foi para a
esquerda. A equipa ficou mais equilibrada e agressiva, mas depois
veio o pior (a expulsão de Zahovic) e o efeito da substituição
perdeu-se. Tentou surpreender Nélson com um remate inesperado
(85’), quando toda a gente esperava um cruzamento, mas foi mal
sucedido.
MINUTO
A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-SPORTING, 1-2 (Sokota 74'; Quaresma 10', João Pinto 34')
21:31 - FINAL DA PARTIDA.
90 + 2 m - Cartão AMARELO a Pedro Barbosa, por falta sobre Simão.
90 + 1 m - Grande jogada benfiquista em contra-ataque, com Miguel a
iniciá-la e a concluí-la. O remate é que saiu por cima da trave.
87 m - Substituição no Sporting: TOÑITO rende Niculae.
80 m - Substituição no Benfica: DRULOVIC rende Geovanni.
79 m - Zahovic vê também o cartão VERMELHO directo, devido à
confusão com João Pinto. Tudo devido ao facto de o benfiquista
tentar que o sportinguista saísse mais depressa do relvado para ser
substituído. De cabeça perdida, o esloveno corre atrás de João
Pinto mas é agarrado por colegas.
78 m - Cartão VERMELHO directo a João Pinto, por agressão a
Zahovic. O Sporting fica reduzido a dez elementos. O médio
encarnado fica caído no relvado.
77 m - Zahovic remata ligeiramente por cima da trave, na sequência
de um pontapé de canto.
75 m - Cartão AMARELO a João Pinto, por protestos.
74 m - GOLO DO BENFICA, por SOKOTA
Jogada individual de Miguel, que coloca em Roger na área. O
brasileiro é derrubado por Beto mas a bola sobra para Sokota que
bate Nélson pela primeira vez.
71 m - Perdida incrível de Quaresma, atirando ao lado do poste
direito quando surgia isolado frente a Moreira.
69 m - Substituição no Benfica: ROGER rende Nuno Gomes.
67 m - Substituição no Sporting: QUIROGA rende Hugo.
66 m - Quaresma arranca pela direita, vai à linha de fundo e cruza
para a área, onde surge Hélder a efectuar o corte para canto.
64 m - Substituição no Sporting: PEDRO BARBOSA rende Kutuzov.
57 m - Nuno Gomes, à meia volta, remata para mais uma defesa de Nélson.
56 m - Cartão AMARELO a Hélder, por falta sobre Quaresma.
55 m - Cartão AMARELO a Rui Jorge, por falta sobre Geovanni.
54 m - Nuno Gomes trabalha bem à entrada da área e remata rasteiro
ao lado do poste direito.
53 m - Nuno Gomes cai na área sportinguista em luta com Beto e fica
a reclamar falta mas o árbitro manda seguir o jogo.
51 m - Cabeceamento de João Manuel Pinto para defesa atenta de Nélson.
48 m - Excelente trabalho de Sokota na área leonina, livrando-se de
Rui Jorge e rematando às malhas laterais.
47 m - Rui Bento ganha espaço à entrada da área e atira por cima
da barra.
46 m - Zahovic remata ao lado do poste esquerdo da baliza de Nélson.
20:42 - COMEÇO DO SEGUNDO TEMPO.
20:25 - FINAL DA PRIMEIRA PARTE.
45 m - Livre de Simão em zona frontal, com a bola a sair ao lado do
poste esquerdo após um ligeiro desvio na barreira sportinguista.
38 m - Nélson defende sem problemas um cabeceamento de Nuno Gomes.
37 m - Substituição no Benfica: SOKOTA rende Tiago.
34 m - GOLO DO SPORTING, por JOÃO PINTO.
Rui Jorge marca um livre no flanco esquerdo do ataque leonino com um
centro para área, onde aparece João Pinto, ao segundo poste, a
ganhar espaço e a rematar para a baliza, de nada valendo Hélder
que tentava evitar o golo sobre a linha.
30 m - Cartão AMARELO a Petit, por falta sobre João Vieira Pinto.
29 m - Cartão AMARELO a Niculae.
27 m - Geovanni atrasa para Petit, que remata de longe, por cima da
trave.
23 m - Bom cruzamento de Ricardo Rocha da esquerda e Zahovic
cabeceia ligeiramente ao lado.
18 m - Simão, na esquerda, flecte para o meio e remata com o pé
direito para nova defesa segura de Nélson.
11 m - Cartão AMARELO a Quaresma, por agarrar Miguel.
10 m - GOLO DO SPORTING, por QUARESMA
Ricardo Quaresma ganha uma bola a Tiago sobre a esquerda e arranca
para a área, rematando forte e colocando a bola junto ao poste
direito da baliza de Moreira.
9 m - Zahovic, sobre a direita, remata com o pé esquerdo para mais
uma defesa atenta de Nélson.
8 m - César Prates, no momento certo, desvia pela linha de fundo,
impedindo que um passe de Simão chegasse a Nuno Gomes na conclusão
de um contra-ataque dos encarnados.
6 m - Centro de Rui Bento e João Pinto, de cabeça, faz um desvio
subtil para... as mãos de Moreira.
5 m - Livre directo de Zahovic, sobre o flanco direito, mas Nélson
consegue afastar com os punhos.
2 m - Livre apontado por Simão sobre a esquerda, Zahovic não
consegue o remate e a bola sobra para Hélder, que remata por cima.
19:38 - INÍCIO DA PARTIDA. Antes do apito inicial, realizou-se um
minuto de silêncio em memória de Nuno Mendes, árbitro falecido
esta semana no Algarve.
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SUPERLIGA - 30ª JORNADA
BENFICA-SPORTING
Estádio Nacional, no Jamor
Hora: 19:30
Árbitro: António Costa (Setúbal)
BENFICA - Moreira, Miguel, João Manuel Pinto, Hélder, Ricardo
Rocha, Petit, Tiago, Geovanni, Zahovic, Simão e Nuno Gomes.
Treinador: José Antonio Camacho.
Suplentes: Bossio, Armando, Roger, Drulovic, Ednilson, Andrade e
Sokota.
SPORTING - Nélson, Hugo, Contreras, Beto, César Prates, Rui Bento,
Rui Jorge, Quaresma, João Pinto, Kutuzov e Niculae.
Treinador: Laszlo Bölöni.
Suplentes: Tiago, Quiroga, Pedro Barbosa, Sá Pinto, Tello, Paulo
Bento e Toñito.