APRECIAÇÃO
À EQUIPA
Benfica frente ao V. Setúbal: Lição dos pequenos terríveis
PETIT
- De forma gradual, Petit vai adquirindo o ritmo que lhe faltava no
início da época e os próprios níveis físicos. Um sinal claro da
sua subida de rendimento foi ontem dado da maneira bela que tem o
futebol – através de um golo fabuloso, um remate de fora da área
que deixou Marco Tábuas preso ao relvado. Além do golo, Petit foi
sempre um elemento a destoar pela positiva, tanto na recupração de
bolas como no passe e na própria entrega ao jogo. O golo foi apenas
um prémio merecido.
A águia começou cheia de vontade de marcar mas confirmou-se que a
pressa é má conselheira. Aos poucos, o Benfica foi perdendo fulgor
e, mesmo depois de chegar ao golo, deu a ideia de estar a actuar
sobre brasas. Uma fogueira da qual escaparam Roger e Petit, dois
baixinhos que misturam na perfeição o talento com o labor mas que
não chegaram para aumentar o moral.
MOREIRA - Uma noite tranquila para o jovem guarda-redes do Benfica,
ao contrário do que se poderia pensar se esta análise focasse,
unicamente, o quarto de hora inicial. Durante esse período, Moreira
efectuou duas intervenções – a segunda, aos 14 minutos, com
algum grau de dificuldade, face ao veneno que levava o cruzamento de
Meyong. De resto, serenidade total.
ARMANDO - O lateral-direito dos encarnados experimentou dificuldades
para inviabilizar as tentativas de Rui Lima e mesmo de Marco
Ferreira, quando este deambulava pelo flanco esquerdo. Já perto do
final, teve oportunidade de marcar, mas o remate foi desviado para
canto. Pouco dinâmico no apoio ao ataque.
ARGEL - Uma actuação pouco consentânea com a produção que vinha
conseguindo neste início de temporada. Por vezes apático e pouco
esclarecido, esteve longe de ser a voz de comando da defesa e só
por uma vez, aos 43 minutos, apareceu na área contrária a desviar,
de cabeça, para defesa de Marco Tábuas.
JOÃO MANUEL PINTO - Também teve o seu momento alto, aos 64 minutos,
a exemplo de Argel, num remate de cabeça na sequência de um canto
da direita. Na defesa, também não foi capaz de expressar segurança
e serenidade aos companheiros.
RICARDO ROCHA - A fase inicial do jogo não foi nada famosa, não
senhor. Mas, valha a verdade, jogando numa posição que não é a
sua e perante um adversário ingrato como é Marco Ferreira, Ricardo
Rocha foi somando pontos e apostou vezes sem conta nas aventuras
pelo seu flanco, com uma garra e uma determinação invulgares. No
lance do golo, não é feliz no alívio, mas fica a ideia de ter
sofrido um toque no momento em que ia a despachar a bola.
TIAGO - Uma noite de pouca inspiração, tanto no passe como na
recuperação de bolas. Tiago é um jovem com qualidades que pode e
sabe fazer bem melhor. Há dias assim.
ZAHOVIC - No primeiro quarto de hora teve dois apontamentos que
indiciavam poder partir para uma actuação positiva. Primeiro, aos
11 minutos, servido por Simão, rematou por cima da barra. Depois,
aos 15, proporcionou a Simão uma boa oportunidade para marcar.
Antes do intervalo, nova tentativa para marcar, mas uma vez mais a
bola seguiu o percurso que o esloveno não desejava. Com o resultado
em 0-0, foi o primeiro sacrificado, saindo para entrar Fehér.
SIMÃO - Os adeptos do Benfica esperam sempre muito de Simão, mas
ontem bem podiam esperar sentados. O avançado do Benfica foi apenas
uma sombra do verdadeiro Simão, raramente conseguindo superiorizar-se
aos defesas sadinos. Na última dezena de minutos deu o lugar a
Drulovic.
ROGER - Se o Benfica espalhou algum talento no relvado, o brasileiro
foi o único responsável. Pode questionar-se o lado prático, mas
futebol também é beleza e espectáculo. Roger teve passes
primorosos, Roger teve visão de jogo, Roger teve, finalmente,
oportunidade para marcar um ou dois livres.
NUNO GOMES - Sente-se que procura golos desesperadamente, mas a
pressa nem sempre é boa conselheira. Bem no passe, fracassou na
finalização.
FEHÉR - Agitou a equipa e teve mesmo três situações para marcar.
Não teve sorte.
DRULOVIC - Breves minutos em campo.
TREINADOR
CONSIDERA QUE EQUIPA JOGOU BEM E CRIOU MUITAS OPORTUNIDADES
Jesualdo Ferreira: «Perdemos dois pontos que devíamos ter ganho»
Jesualdo Ferreira foi o único elemento do Benfica a comparecer na
sala de Imprensa no final do jogo. O técnico dos encarnados, que
estava visivelmente triste pelo empate ante o V. Setúbal, começou
por afirmar: "O Benfica foi uma equipa infeliz, pois não
conseguiu concretizar as inúmeras oportunidades de golo que teve
durante os noventa minutos, as quais davam certamente para vencer a
partida."
No entanto, Jesualdo Ferreira considerou que "o V. Setúbal foi
um obstáculo difícil de transpor, sobretudo quando jogou atrás da
linha da bola. Na parte final, o Vitória, aproveitando o facto de
estar mais fresco, porque esteve sempre a defender, acabou por
empatar, num lance em que há falta sobre Ricardo Rocha a preceder o
golo".
O treinador do Benfica não deixou de enaltecer a equipa,
salientando que "esta lutou e trabalhou bem. O Benfica foi
melhor, jogou bem, mas pecou na finalização, onde foi infeliz. O
resultado é injusto."
Após a derrota frente ao Nacional, onde os encarnados perderam os
primeiros três pontos, a equipa ontem voltou a perder mais dois.
Jesualdo Ferreira está ciente da situação e sobre isso frisa:
"Temos a consciência que perdemos dois pontos que devíamos
ter ganho. Mas sentimos que hoje o jogo não estava do nosso lado."
Instado a pronunciar-se sobre as oscilações da defesa do Benfica,
Jesualdo Ferreira foi lesto na resposta: "Está na moda
criticar a defesa do Benfica. Penso que a defesa esteve bem. Falhar
três ou quatro passes em todo o jogo não é mau. Aliás, os
centrais só podem actuar de duas formas: ou enviam a bola para a
frente, o que eu não gosto, ou saem a jogar com os companheiros, e
isso foi o que aconteceu."
O próximo jogo da Superliga tem prevista uma deslocação do
Benfica às Antas, dentro de quinze dias, e isto porque na
fim-de-semana que se avizinha o campeonato pára, por causa da selecção.
Jesualdo Ferreira, a propósito desta paragem, adianta que "o
grupo vai ficar fraccionado, pois dez jogadores vão para a selecção
e só nos encontramos na sexta-feira. No entanto, o Benfica vai às
Antas para ganhar e nem podia ser de outra maneira". Guardiões sadinos
Jesualdo Ferreira não se coibiu de elogiar a acção dos
guarda-redes sadinos – Pedro Espinha que depois foi rendido aos
35' por Marco Tábuas. "O V. Setúbal teve dois guarda-redes em
noite inspirada, sobretudo o segundo."
MÉDIO
ESTREOU-SE A MARCAR PELO BENFICA
Petit: «Temos quinze dias para reflectir»
Petit estreou-se a marcar pelo Benfica e nesta SuperLiga. Um marco
para o médio, que lamentou ter o Benfica, que perdeu cinco pontos
em dois jogos, "criado muitas oportunidades de golo sem as
conseguiu concretizar", salientando que "há que levantar
a cabeça e o moral".
"Temos quinze dias para reflectir", observou o jogador,
que abriu o activo do jogo de ontem com um remate forte na execução
de um livre directo, salientando que os sadinos "defenderam
muito lá atrás".
Roger: «Há falta no golo do V. Setúbal»
Também Roger aceitou comentar as incidências do jogo da noite de
ontem (mais nenhum outro jogador benfiquista quis pronunciar-se). O
médio brasileiro enalteceu a prestação da equipa de Jesualdo
Ferreira, mas também lamentou que as ocasiões tivessem sido
desperdiçadas.
"Tenho de exaltar o colectivo. A equipa do Benfica portou-se
bem, mas foi infeliz. Criámos oportunidades de golo. Valeu. Na
minha opinião, no golo do V. Setúbal há uma falta cometida sobre
Ricardo Rocha", disse.
CRÓNICA
Benfica-V. Setúbal, 1-1: Defesa encarnada fica desfocada no retrato
Jesualdo
Ferreira exigiu a entrada a todo o gás e o conjunto cumpriu. O técnico
encarnado desejava a revolta, mas a equipa não respondeu, cedendo
um empate.
É certo que os benfiquistas não mereciam perder dois pontos, mas,
para a história, o que conta são os golos. E o que decidiu o
desfecho resultou de uma infantilidade ou, se se quiser, de uma
desconcentração da defesa, o que, diga-se em abono da verdade,
começa a ser normal.
Jesualdo Ferreira diz, e muito bem, que uma equipa é um conjunto e,
por isso, jamais crucificará este ou aquele sector. Um
"team" só defende bem e ataca bem quando funciona em
harmonia, em conjunto. Ora, como os benfiquistas são, e é verdade
que sim, uma turma de tendência claramente ofensiva, é natural que
surjam desequilíbrios no sector mais recuado. Jesualdo Ferreira,
que tem responsabilidades na construção do plantel, sabe disso
melhor que ninguém. Por isso perceberá, também mais facilmente,
que esta defesa não pode ser, nunca, a sua defesa, a começar,
logo, por uma adaptação, a de Ricardo Rocha a lateral-direito.
Mas o problema das águias não foi só a sua defesa, nem tão-pouco
a forma como abordou a baliza dos sadinos. Foi, e há que enfatizá-lo,
o Vitória de Setúbal, que se confirmou como uma equipa que sabe o
que quer e para onde vai, pensando o seu futebol, proporcionando
espectáculo. Luís Campos preparou tudo ao pormenor e mostrou que a
classificação do V. Setúbal não é obra do acaso. O homem estuda.
O homem sabe. E os seus pupilos aplicam-se. E de que maneira.
A tentativa de revolta chegou a pairar no ar, porque, de facto, os
encarnados entraram a todo o gás. De resto, deram a entender que
poderiam protagonizar uma jornada à moda antiga, se considerarmos
que aos dez segundos já Nuno Gomes estava a provocar um bruá nas
arquibancadas da Luz.
Pela forma como os sadinos se plantaram no terreno percebeu-se,
entretanto, que os benfiquistas iriam encontrar sérias dificuldades
para baralhar as contas a Rui Lopes – Luís Campos teve de se
quedar pela bancada –, pois as peças foram muito bem distribuídas.
Os setubalenses cercearam as acções dos encarnados, recorrendo,
com eficácia, a várias marcações individuais. Mas, como se isso
não bastasse, o Benfica tinha ainda de enfrentar outro problema:
jogar com apenas um homem na área.
É evidente que atacar melhor não é sinónimo de jogar com mais
avançados. No entanto, quando o Benfica passou a contar com Fehér,
que rendeu Zahovic – uma substituição que não encerrou qualquer
surpresa –, a verdade é que o seu jogo fluiu com outra qualidade.
Não só pela entrada do húngaro, saudada a estoiro de morteiro,
mas também porque Roger passou a jogar mais na faixa central,
sentindo-se, aí, como peixe na água. E, nessa altura, o Benfica
baralhou o Vitória. Mas, com as alterações bem medidas pelo banco
sadino, o desequilíbrio voltou a desaparecer do mapa. O último, de
resto, surgiu com o golo que ditou o atraso do Benfica em vésperas
das Antas. O tento de Jorginho dissipa dúvidas sobre o que se disse,
ou seja, a defesa encarnada ficou, outra vez, desfocada no retrato,
obrigando Jesualdo a pensar em novas imagens.
Excelente arbitragem.
MINUTO
A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-V. SETÚBAL, 1-1 (Petit 70'; Jorginho 86')
22:55
- FINAL DA PARTIDA.
88 m - Cabeceamento de Fehér para mais uma grande intervenção de
Marco Tábuas.
87 m - Cartão AMARELO a Petit, por protestos.
86 m - GOLO DO V. SETÚBAL, por JORGINHO
Centro da direita do ataque vitoriano para a área, Hélio, de cabeça,
coloca a bola novamente sobre a direita, onde surge Jorginho sem
marcação a "fuzilar" Moreira. Está feito o empate.
82 m - Substituição no Benfica: DRULOVIC rende Simão.
79 m - Cartão AMARELO a Simão, por falta sobre Meyong.
77 m - Substituição no V. Setúbal: RUI MIGUEL rende Rui Lima.
75 m - Cartão AMARELO a Marco Ferreira, por falta sobre Ricardo
Rocha.
74 m - Cartão AMARELO a Jorginho, por protestos.
70 m - GOLO DO BENFICA, por PETIT
Livre directo em posição frontal à baliza embora ainda bastante
longe da área. Petit remata forte e Marco Tábuas nem reage,
parecendo mal batido, até por que a bola entra a meio da baliza.
66 m - Roger dispara de longe... um pouco ao lado.
65 m - Excelente remate de Fehér, mas Marco Tábuas responde à
altura com bela intervenção.
64 m - Canto na esquerda do ataque benfiquista, com João Manuel
Pinto a cabecear para defesa soberba de Marco Tábuas.
62 m - Livre directo apontado por Roger em posição frontal da área,
com a bola a sair ligeiramente por cima da trave.
60 m - Cartão AMARELO a Armando, por protestos.
59 m - Cartão AMARELO a Nélson Veiga, por falta sobre Roger.
58 m - Substituição no Benfica: FEHÉR rende Zahovic.
56 m - Substituição no V. Setúbal: COSTA rende Sandro.
22:06 - INÍCIO DO SEGUNDO TEMPO.
21:50 - FINAL DA PARTIDA.
45 m - Grande defesa de Marco Tábuas após cabeceamento de Argel na
sequência de um livre.
44 m - Cartão AMARELO a Sandro, por falta sobre Roger.
43 m - Fase de grande apuro na área sadina, com Ricardo a falhar
por pouco a emenda, após pontapé de canto na direita do ataque
benfiquista.
37 m - Zahovic, após assistência de Petit, atira em jeito mas a
bola sai a rasar o poste direito da baliza agora defendida por Marco
Tábuas.
35 m - Substituição no V. Setúbal: MARCO TÁBUAS rende Pedro
Espinha, que sai lesionado.
30 m - Remate de Hugo Alcântara, de muito longe, para defesa segura
de Moreira.
18 m - Cartão AMARELO a Hugo Alcântara, por falta dura sobre Simão.
15 m - Excelente combinação entre Zahovic e Simão, com este a
rematar rasteiro para defesa incompleta de Pedro Espinha. Nuno
Gomes, na recarga, cabeceia para as mãos do guardião sadino.
14 m - Centro-remate de Meyong da esquerda, com Moreira a defender
com os punhos para a frente.
10 m - Lance de contra-ataque com Roger a lançar Simão na esquerda
e o extremo luso a centrar atrasado para Zahovic atirar em jeito por
cima da barra.
21:00 - INÍCIO DA PARTIDA.
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SUPERLIGA - 6ª JORNADA
BENFICA-V. SETÚBAL
Estádio da Luz, em Lisboa
Hora: 21:00
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)
BENFICA - Moreira; Armando, Argel, João M. Pinto e Ricardo Rocha;
Tiago e Petit; Roger, Zahovic e Simão; Nuno Gomes.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
Suplentes: Nuno Santos, Hélder, Miguel, Ednilson, Drulovic, Féher
e Mantorras.
V. SETÚBAL - Pedro Espinha; Nélson, Hugo Costa, Hugo Alcântara e
Nélson Veiga; Hélio e Sandro; Marco Ferreira, Jorginho e Rui Lima;
Meyong.
Treinador: Luís Campos.
Suplentes: Marco Tábuas, Rui André, Costa, Joca, Hugo Henrique,
Jean Paulista, Celino, Mário Carlos e Rui Miguel.