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Jornada #6 - 5 de Outubro 2002   

BENFICA - 1    Setubal - 1

 

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao V. Setúbal: Lição dos pequenos terríveis

PETIT - De forma gradual, Petit vai adquirindo o ritmo que lhe faltava no início da época e os próprios níveis físicos. Um sinal claro da sua subida de rendimento foi ontem dado da maneira bela que tem o futebol – através de um golo fabuloso, um remate de fora da área que deixou Marco Tábuas preso ao relvado. Além do golo, Petit foi sempre um elemento a destoar pela positiva, tanto na recupração de bolas como no passe e na própria entrega ao jogo. O golo foi apenas um prémio merecido.

A águia começou cheia de vontade de marcar mas confirmou-se que a pressa é má conselheira. Aos poucos, o Benfica foi perdendo fulgor e, mesmo depois de chegar ao golo, deu a ideia de estar a actuar sobre brasas. Uma fogueira da qual escaparam Roger e Petit, dois baixinhos que misturam na perfeição o talento com o labor mas que não chegaram para aumentar o moral.
MOREIRA - Uma noite tranquila para o jovem guarda-redes do Benfica, ao contrário do que se poderia pensar se esta análise focasse, unicamente, o quarto de hora inicial. Durante esse período, Moreira efectuou duas intervenções – a segunda, aos 14 minutos, com algum grau de dificuldade, face ao veneno que levava o cruzamento de Meyong. De resto, serenidade total.
ARMANDO - O lateral-direito dos encarnados experimentou dificuldades para inviabilizar as tentativas de Rui Lima e mesmo de Marco Ferreira, quando este deambulava pelo flanco esquerdo. Já perto do final, teve oportunidade de marcar, mas o remate foi desviado para canto. Pouco dinâmico no apoio ao ataque.
ARGEL - Uma actuação pouco consentânea com a produção que vinha conseguindo neste início de temporada. Por vezes apático e pouco esclarecido, esteve longe de ser a voz de comando da defesa e só por uma vez, aos 43 minutos, apareceu na área contrária a desviar, de cabeça, para defesa de Marco Tábuas.
JOÃO MANUEL PINTO - Também teve o seu momento alto, aos 64 minutos, a exemplo de Argel, num remate de cabeça na sequência de um canto da direita. Na defesa, também não foi capaz de expressar segurança e serenidade aos companheiros.
RICARDO ROCHA - A fase inicial do jogo não foi nada famosa, não senhor. Mas, valha a verdade, jogando numa posição que não é a sua e perante um adversário ingrato como é Marco Ferreira, Ricardo Rocha foi somando pontos e apostou vezes sem conta nas aventuras pelo seu flanco, com uma garra e uma determinação invulgares. No lance do golo, não é feliz no alívio, mas fica a ideia de ter sofrido um toque no momento em que ia a despachar a bola.
TIAGO - Uma noite de pouca inspiração, tanto no passe como na recuperação de bolas. Tiago é um jovem com qualidades que pode e sabe fazer bem melhor. Há dias assim.
ZAHOVIC - No primeiro quarto de hora teve dois apontamentos que indiciavam poder partir para uma actuação positiva. Primeiro, aos 11 minutos, servido por Simão, rematou por cima da barra. Depois, aos 15, proporcionou a Simão uma boa oportunidade para marcar. Antes do intervalo, nova tentativa para marcar, mas uma vez mais a bola seguiu o percurso que o esloveno não desejava. Com o resultado em 0-0, foi o primeiro sacrificado, saindo para entrar Fehér.
SIMÃO - Os adeptos do Benfica esperam sempre muito de Simão, mas ontem bem podiam esperar sentados. O avançado do Benfica foi apenas uma sombra do verdadeiro Simão, raramente conseguindo superiorizar-se aos defesas sadinos. Na última dezena de minutos deu o lugar a Drulovic.
ROGER - Se o Benfica espalhou algum talento no relvado, o brasileiro foi o único responsável. Pode questionar-se o lado prático, mas futebol também é beleza e espectáculo. Roger teve passes primorosos, Roger teve visão de jogo, Roger teve, finalmente, oportunidade para marcar um ou dois livres.
NUNO GOMES - Sente-se que procura golos desesperadamente, mas a pressa nem sempre é boa conselheira. Bem no passe, fracassou na finalização.
FEHÉR - Agitou a equipa e teve mesmo três situações para marcar. Não teve sorte.
DRULOVIC - Breves minutos em campo.

 

TREINADOR CONSIDERA QUE EQUIPA JOGOU BEM E CRIOU MUITAS OPORTUNIDADES
Jesualdo Ferreira: «Perdemos dois pontos que devíamos ter ganho»

Jesualdo Ferreira foi o único elemento do Benfica a comparecer na sala de Imprensa no final do jogo. O técnico dos encarnados, que estava visivelmente triste pelo empate ante o V. Setúbal, começou por afirmar: "O Benfica foi uma equipa infeliz, pois não conseguiu concretizar as inúmeras oportunidades de golo que teve durante os noventa minutos, as quais davam certamente para vencer a partida."
No entanto, Jesualdo Ferreira considerou que "o V. Setúbal foi um obstáculo difícil de transpor, sobretudo quando jogou atrás da linha da bola. Na parte final, o Vitória, aproveitando o facto de estar mais fresco, porque esteve sempre a defender, acabou por empatar, num lance em que há falta sobre Ricardo Rocha a preceder o golo".
O treinador do Benfica não deixou de enaltecer a equipa, salientando que "esta lutou e trabalhou bem. O Benfica foi melhor, jogou bem, mas pecou na finalização, onde foi infeliz. O resultado é injusto."
Após a derrota frente ao Nacional, onde os encarnados perderam os primeiros três pontos, a equipa ontem voltou a perder mais dois. Jesualdo Ferreira está ciente da situação e sobre isso frisa: "Temos a consciência que perdemos dois pontos que devíamos ter ganho. Mas sentimos que hoje o jogo não estava do nosso lado."
Instado a pronunciar-se sobre as oscilações da defesa do Benfica, Jesualdo Ferreira foi lesto na resposta: "Está na moda criticar a defesa do Benfica. Penso que a defesa esteve bem. Falhar três ou quatro passes em todo o jogo não é mau. Aliás, os centrais só podem actuar de duas formas: ou enviam a bola para a frente, o que eu não gosto, ou saem a jogar com os companheiros, e isso foi o que aconteceu."
O próximo jogo da Superliga tem prevista uma deslocação do Benfica às Antas, dentro de quinze dias, e isto porque na fim-de-semana que se avizinha o campeonato pára, por causa da selecção. Jesualdo Ferreira, a propósito desta paragem, adianta que "o grupo vai ficar fraccionado, pois dez jogadores vão para a selecção e só nos encontramos na sexta-feira. No entanto, o Benfica vai às Antas para ganhar e nem podia ser de outra maneira".
Guardiões sadinos
Jesualdo Ferreira não se coibiu de elogiar a acção dos guarda-redes sadinos – Pedro Espinha que depois foi rendido aos 35' por Marco Tábuas. "O V. Setúbal teve dois guarda-redes em noite inspirada, sobretudo o segundo."

 

MÉDIO ESTREOU-SE A MARCAR PELO BENFICA
Petit: «Temos quinze dias para reflectir»

Petit estreou-se a marcar pelo Benfica e nesta SuperLiga. Um marco para o médio, que lamentou ter o Benfica, que perdeu cinco pontos em dois jogos, "criado muitas oportunidades de golo sem as conseguiu concretizar", salientando que "há que levantar a cabeça e o moral".
"Temos quinze dias para reflectir", observou o jogador, que abriu o activo do jogo de ontem com um remate forte na execução de um livre directo, salientando que os sadinos "defenderam muito lá atrás".
Roger: «Há falta no golo do V. Setúbal»
Também Roger aceitou comentar as incidências do jogo da noite de ontem (mais nenhum outro jogador benfiquista quis pronunciar-se). O médio brasileiro enalteceu a prestação da equipa de Jesualdo Ferreira, mas também lamentou que as ocasiões tivessem sido desperdiçadas.
"Tenho de exaltar o colectivo. A equipa do Benfica portou-se bem, mas foi infeliz. Criámos oportunidades de golo. Valeu. Na minha opinião, no golo do V. Setúbal há uma falta cometida sobre Ricardo Rocha", disse.

 

CRÓNICA
Benfica-V. Setúbal, 1-1: Defesa encarnada fica desfocada no retrato

Jesualdo Ferreira exigiu a entrada a todo o gás e o conjunto cumpriu. O técnico encarnado desejava a revolta, mas a equipa não respondeu, cedendo um empate.
É certo que os benfiquistas não mereciam perder dois pontos, mas, para a história, o que conta são os golos. E o que decidiu o desfecho resultou de uma infantilidade ou, se se quiser, de uma desconcentração da defesa, o que, diga-se em abono da verdade, começa a ser normal.

Jesualdo Ferreira diz, e muito bem, que uma equipa é um conjunto e, por isso, jamais crucificará este ou aquele sector. Um "team" só defende bem e ataca bem quando funciona em harmonia, em conjunto. Ora, como os benfiquistas são, e é verdade que sim, uma turma de tendência claramente ofensiva, é natural que surjam desequilíbrios no sector mais recuado. Jesualdo Ferreira, que tem responsabilidades na construção do plantel, sabe disso melhor que ninguém. Por isso perceberá, também mais facilmente, que esta defesa não pode ser, nunca, a sua defesa, a começar, logo, por uma adaptação, a de Ricardo Rocha a lateral-direito.
Mas o problema das águias não foi só a sua defesa, nem tão-pouco a forma como abordou a baliza dos sadinos. Foi, e há que enfatizá-lo, o Vitória de Setúbal, que se confirmou como uma equipa que sabe o que quer e para onde vai, pensando o seu futebol, proporcionando espectáculo. Luís Campos preparou tudo ao pormenor e mostrou que a classificação do V. Setúbal não é obra do acaso. O homem estuda. O homem sabe. E os seus pupilos aplicam-se. E de que maneira.
A tentativa de revolta chegou a pairar no ar, porque, de facto, os encarnados entraram a todo o gás. De resto, deram a entender que poderiam protagonizar uma jornada à moda antiga, se considerarmos que aos dez segundos já Nuno Gomes estava a provocar um bruá nas arquibancadas da Luz.
Pela forma como os sadinos se plantaram no terreno percebeu-se, entretanto, que os benfiquistas iriam encontrar sérias dificuldades para baralhar as contas a Rui Lopes – Luís Campos teve de se quedar pela bancada –, pois as peças foram muito bem distribuídas. Os setubalenses cercearam as acções dos encarnados, recorrendo, com eficácia, a várias marcações individuais. Mas, como se isso não bastasse, o Benfica tinha ainda de enfrentar outro problema: jogar com apenas um homem na área.
É evidente que atacar melhor não é sinónimo de jogar com mais avançados. No entanto, quando o Benfica passou a contar com Fehér, que rendeu Zahovic – uma substituição que não encerrou qualquer surpresa –, a verdade é que o seu jogo fluiu com outra qualidade. Não só pela entrada do húngaro, saudada a estoiro de morteiro, mas também porque Roger passou a jogar mais na faixa central, sentindo-se, aí, como peixe na água. E, nessa altura, o Benfica baralhou o Vitória. Mas, com as alterações bem medidas pelo banco sadino, o desequilíbrio voltou a desaparecer do mapa. O último, de resto, surgiu com o golo que ditou o atraso do Benfica em vésperas das Antas. O tento de Jorginho dissipa dúvidas sobre o que se disse, ou seja, a defesa encarnada ficou, outra vez, desfocada no retrato, obrigando Jesualdo a pensar em novas imagens.
Excelente arbitragem.

 

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-V. SETÚBAL, 1-1 (Petit 70'; Jorginho 86')

22:55 - FINAL DA PARTIDA.
88 m - Cabeceamento de Fehér para mais uma grande intervenção de Marco Tábuas.
87 m - Cartão AMARELO a Petit, por protestos.
86 m - GOLO DO V. SETÚBAL, por JORGINHO
Centro da direita do ataque vitoriano para a área, Hélio, de cabeça, coloca a bola novamente sobre a direita, onde surge Jorginho sem marcação a "fuzilar" Moreira. Está feito o empate.
82 m - Substituição no Benfica: DRULOVIC rende Simão.
79 m - Cartão AMARELO a Simão, por falta sobre Meyong.
77 m - Substituição no V. Setúbal: RUI MIGUEL rende Rui Lima.
75 m - Cartão AMARELO a Marco Ferreira, por falta sobre Ricardo Rocha.
74 m - Cartão AMARELO a Jorginho, por protestos.
70 m - GOLO DO BENFICA, por PETIT
Livre directo em posição frontal à baliza embora ainda bastante longe da área. Petit remata forte e Marco Tábuas nem reage, parecendo mal batido, até por que a bola entra a meio da baliza.
66 m - Roger dispara de longe... um pouco ao lado.
65 m - Excelente remate de Fehér, mas Marco Tábuas responde à altura com bela intervenção.
64 m - Canto na esquerda do ataque benfiquista, com João Manuel Pinto a cabecear para defesa soberba de Marco Tábuas.
62 m - Livre directo apontado por Roger em posição frontal da área, com a bola a sair ligeiramente por cima da trave.
60 m - Cartão AMARELO a Armando, por protestos.
59 m - Cartão AMARELO a Nélson Veiga, por falta sobre Roger.
58 m - Substituição no Benfica: FEHÉR rende Zahovic.
56 m - Substituição no V. Setúbal: COSTA rende Sandro.
22:06 - INÍCIO DO SEGUNDO TEMPO.
21:50 - FINAL DA PARTIDA.
45 m - Grande defesa de Marco Tábuas após cabeceamento de Argel na sequência de um livre.
44 m - Cartão AMARELO a Sandro, por falta sobre Roger.
43 m - Fase de grande apuro na área sadina, com Ricardo a falhar por pouco a emenda, após pontapé de canto na direita do ataque benfiquista.
37 m - Zahovic, após assistência de Petit, atira em jeito mas a bola sai a rasar o poste direito da baliza agora defendida por Marco Tábuas.
35 m - Substituição no V. Setúbal: MARCO TÁBUAS rende Pedro Espinha, que sai lesionado.
30 m - Remate de Hugo Alcântara, de muito longe, para defesa segura de Moreira.
18 m - Cartão AMARELO a Hugo Alcântara, por falta dura sobre Simão.
15 m - Excelente combinação entre Zahovic e Simão, com este a rematar rasteiro para defesa incompleta de Pedro Espinha. Nuno Gomes, na recarga, cabeceia para as mãos do guardião sadino.
14 m - Centro-remate de Meyong da esquerda, com Moreira a defender com os punhos para a frente.
10 m - Lance de contra-ataque com Roger a lançar Simão na esquerda e o extremo luso a centrar atrasado para Zahovic atirar em jeito por cima da barra.
21:00 - INÍCIO DA PARTIDA.
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SUPERLIGA - 6ª JORNADA
BENFICA-V. SETÚBAL
Estádio da Luz, em Lisboa
Hora: 21:00
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)
BENFICA - Moreira; Armando, Argel, João M. Pinto e Ricardo Rocha; Tiago e Petit; Roger, Zahovic e Simão; Nuno Gomes.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
Suplentes: Nuno Santos, Hélder, Miguel, Ednilson, Drulovic, Féher e Mantorras.
V. SETÚBAL - Pedro Espinha; Nélson, Hugo Costa, Hugo Alcântara e Nélson Veiga; Hélio e Sandro; Marco Ferreira, Jorginho e Rui Lima; Meyong.
Treinador: Luís Campos.
Suplentes: Marco Tábuas, Rui André, Costa, Joca, Hugo Henrique, Jean Paulista, Celino, Mário Carlos e Rui Miguel.