CRÓNICA Benfica-Académica, 2-0: Ganhar
de olhar no céu para manter Liga acesa
O Benfica venceu por Fehér e venceu para reduzir
distâncias para FC Porto e Sporting. Que estão agora a nove e a quatro pontos.
Já ali
O Benfica conquistou os três pontos, que eram aquilo que
mais desejava levar do jogo que serviu para honrar a memória de Fehér,
aproveitando desta forma para reduzir as distâncias que o separam de FC Porto e
Sporting. Mas não o fez com brilhantismo e teve mesmo de submeter-se durante
alguns períodos ao domínio de uma Académica que, pelo menos no meio-jogo,
mostrou valer bem mais do que o penúltimo lugar que ocupa.
As equipas até mostraram lacunas semelhantes, relacionadas com a falta de
finalizadores, mas o Benfica foi quem melhor superou esse problema. O que é
natural, pois Camacho tinha à disposição jogadores de maior qualidade.
Sem outras opções para a frente, o espanhol voltou ao 4x3x3, ao Benfica de um
ponta-de-lança só, entregando Sokota a um mar de camisolas negras. Já se sabia
que o croata rende muito menos isolado na frente do que com um companheiro ao
lado: apenas um dos seus sete golos nesta SuperLiga foi feito sem Nuno Gomes em
campo.
E confirmou-se a ideia. Sokota saiu de campo com a camisola suada de tanto lutar,
mas apenas com dois remates no activo. Nada de grave, pois terá, de qualquer
modo, feito o que dele se esperava. Até porque o treinador apostava mais nos
"sprints" de João Pereira e Simão, nos desequilíbrios de Zahovic e Tiago, nas
bolas paradas de Petit. Especialmente nestas, que a inspiração era pouca.
Copiar na táctica
O problema é que, pela frente, o Benfica apanhou uma Académica personalizada. O
estreante João Carlos Pereira copiou na táctica, é certo (o seu 4x3x3 era a
versão benfiquista vista ao espelho, com a recomendável inversão do triângulo de
meio-campo), mas a equipa surpreendeu pela segurança que evidenciou a tapar os
caminhos que levavam à baliza de Pedro Roma e pelo futebol positivo exibido
quando recuperava a bola e activava os extremos.
O problema estava, também aqui, na frente. Apesar do físico imponente, Kaká, o
brasileiro que veio de Espanha, não é especialista em futebol aéreo nem homem de
bola no espaço, caso em que a lentidão acaba por traí-lo. Como Sokota, gosta de
bola no pé, para poder escondê-la e progredir utilizando o corpo. E disso
raramente teve, pois os momentos mais conseguidos do futebol da Académica
surgiram na sequência de arrancadas de Paulo Sérgio. Que Kaká não podia
acompanhar.
O jogo decorria, assim, com um encaixe perfeito do 4x3x3 do Benfica no 4x3x3 da
Académica. O risco assumido pelos visitantes até era grande. A equipa abdicava
da maior arma defensiva do período em que era comandada por Vítor Oliveira (a
exploração do fora--de-jogo) e permitia o um contra um nas alas: Nuno Luís com
Simão, Fredy com João Pereira. Daí que tenha sido uma surpresa o apagamento dos
extremos benfiquistas face ao brilho dos da Académica. Paulo Sérgio, um jovem
que o Sporting poderá em breve aproveitar, teve mesmo nos pés a primeira grande
ocasião de golo, aos 7 minutos.
Golo para Fehér
O Benfica acordou aí, percebeu o perigo e pressionou até chegar à vantagem, num
livre de Petit que Zahovic aproveitou bem. Estavam decorridos 28 minutos, mas a
festa, feita por todos os jogadores a apontar para o céu, foi ao minuto 29. O da
camisola de Fehér.
Apesar de ter continuado a rematar e a ameaçar Moreira (acabou com mais três
remates que o Benfica), a Académica do futebol ligado extinguiu-se pouco após o
intervalo com a quebra física de alguns jogadores. Foi assim o Benfica quem
chegou ao 2-0, através de Geovanni, que celebrou com um golo o regresso ao
relvado quase três meses depois de se ter lesionado.
Para Camacho, que acabou com Simão ao meio, atrás de Sokota, a suprema ironia
foi terem sido os extremos suplentes a dar-lhe tranquilidade. Afinal, há
alternativas.
Árbitro
MARTINS DOS SANTOS (4). Para quem tem a fama, injusta, de ser um desbragado a
mostrar cartões, surpreendeu ao ser o primeiro árbitro da presente SuperLiga a
chegar ao fim de um jogo sem estrear o livro das advertências. E houve lances em
que, se quisesse, podia tê-lo feito. Procurou deixar jogar e teve apenas um erro
importante: deixou passar um "penalty" de Marinescu sobre Tiago, quase no final.
Espiões ingleses na bancada
O confronto foi observado por dois "espiões" ingleses. Charlton e Southampton
enviaram emissários ao Estádio da Luz. Recorde-se que os dois clubes da Premier
League anteriormente, no jogo com o Boavista, já tinham marcado presença no "ninho
da águia" para referenciarem alguns jogadores.
Soares Franco presente
O vice-presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, deslocou-se ao Estádio da
Luz para assistir ao encontro entre o Benfica e a Académica. O dirigente fez
questão de mostrar o apoio leonino num momento delicado para os encarnados.
Hermínio Loureiro, secretário de Estado do Desporto, também marcou presença.
MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA BENFICA-ACADÉMICA, 2-0 (Zahovic
28', Geovanni 67')
23:07 - Final do encontro.
90' - Simão é rendido por FERNANDO AGUIAR. A braçadeira de capitão passa para o
lateral Miguel.
90' - Vão-se jogar mais três minutos.
90' - Agora parece haver mão de Fredy dentro da grande área, após cruzamento de
Miguel. O árbitro também nada assinala.
89' - Tiago adianta a bola e parece ser derrubado na área por Marinescu. Martins
dos Santos manda seguir. Muitos protestos na Luz.
83' - Livre directo para Simão Sabrosa... Por cima da baliza de Pedro Roma.
82' - Última substituição na Académica. MARCELO por Paulo Sérgio.
80' - Kaká consegue uma série de fintas na área do Benfica... A bola acaba por
ressaltar em Tiago, que quase faz um auto-golo.
75' - Grande oportunidade para a Académica. Kaká remata na passada para uma
grande defesa de Moreira, a ceder canto. A bola saiu pela linha de fundo
juntinho ao poste esquerdo.
69' - Na Académica entram MARINESCU e BUSZÁKY para os lugares de Paulo Adriano e
Tixier.
67' - GOLO DO BENFICA... Jogada de entendimento do ataque encarnado. Sokota
descobre Alex, que assiste GEOVANNI para elevar a contagem.
63' - Simão desce bem pelo flanco direito e serve Sokota, que remata torto, ao
lado e por cima.
60' - Dupla substituição no Benfica. ALEX E GEOVANNI rendem João Pereira e
Zahovic, respectivamente.
57' - Fábio Felício passa por Petit e remata ao lado da baliza de Moreira.
55' - Geovanni faz exercícios de aquecimento.
53' - Primeiro sinal de perigo na segunda parte. Paulo Sérgio isola-se no lado
direito e remata às malhas laterais da baliza encarnada.
22:20 - Recomeça a partida, sem alterações nas equipas.
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22:05 - Intervalo na Luz.
43' - Cruzamento para o segundo poste de Paulo Sérgio... Tonel ganha a Argel de
cabeça e acerta no poste.
41' - João Pereira assiste na perfeição Zahovic, que, completamente sozinho à
entrada da área, atira ao lado. Displicente, o esloveno.
30' - Simão foge bem a Nuno Luís na esquerda mas deixa-se antecipar por Pedro
Roma, que saiu da grande área para anular o lance.
28' - GOLO DO BENFICA... Livre de Petit e ZAHOVIC, com um subtil toque de
cabeça, inaugura o marcador na Luz.
26' - Nova ameaça do ataque da Briosa. Agora foi Paulo Adriano que atirou por
cima da trave da baliza de Moreira.
23' - Paulo Sérgio dinamiza o ataque da Académica. Já dentro da área e depois de
uma jogada por si conduzida, o extremo deixa atrasado em Fábio Felício, que
remata forte, mas por cima da barra.
19' - Kaká ganha a Argel e tenta o golo... Moreira defende com os pés.
18' - Simão tira Nuno Luís da frente e remata fraco à entrada da área... Pedro
Roma só defende à segunda tentativa, perante a ameaça Sokota.
14' - Argel à boca da baliza, falha a emenda a um livre batido por Petit. Por
cima da baliza.
10' - Simão dá em Sokota que, à entrada da área, rodopia e remata, mas à figura
de Pedro Roma.
7' - Grande oportunidade para a Académica. Paulo Sérgio entra na área à vontade
e é desarmado na hora do remate por Argel. O jogador do Sporting ganha o
ressalto e atira de novo... Moreira oferece o corpo e evita o pior.
2' - Remate de Petit para defesa fácil de Pedro Roma.
21:23 - Começa a partida. Sai a Briosa.
21:20 - Na Luz, presta-se homenagem a Miklos Fehér com um minuto de silêncio
rigorosamente respeitado.
BENFICA
Moreira; Miguel, Argel, Ricardo Rocha, Armando; Petit e Tiago; João Pereira,
Simão, Zahovic; Sokota
Suplentes: Bossio, Hélder, Cristiano, Fernando Aguiar, Alex, Geovanni e Manuel
Fernandes
Treinador: José Antonio Camacho
ACADÉMICA
Pedro Roma; Nuno Luís, Tonel, José António, Fredy; Tixier, Paulo Adriano, Lucas,
Paulo Sérgio, Fábio Felício; Kaká
Suplentes: Eduardo, Dyduch, Buszáky, Rui Miguel, Marinescu, Filipe Alvim e
Marcelo
Treinador: João Carlos Pereira
APRECIAÇÃO À EQUIPA Benfica frente à Académica:
Tudo por quem ficará Sempre Ligado ao Bem
As feridas ainda não cicatrizaram, pelo que mais não
se podia pedir a quem passou por tão grande tragédia. Mas os encarnados
atingiram, afinal, o objectivo a que se propuseram. Conquistaram os três
pontos e honraram a memória de Miklós Fehér
MOREIRA (4). Está cada vez melhor. Negou o golo por quatro vezes, opondo-se
a remates perigosos de Paulo Sérgio, Kaká, Tonel e Buszáky. A vitória do
Benfica começou a ser construída na baliza.
MIGUEL (3). Embora rigoroso na marcação a Fábio Felício, não demonstrou a
habitual vocação ofensiva.
ARGEL (3). Revelou, de início, uma surpreendente falta de coordenação com
Ricardo Rocha. A jogada individual de Paulo Sérgio, aos 7 minutos, foi prova
disso. Serenou rapidamente e acabou a partida em bom plano.
RICARDO ROCHA (3). Deixou escapar Kaká em lance comprometedor. À semelhança
de Argel, tornou-se menos permissivo com o passar do tempo.
ARMANDO (3). Tal como o companheiro do flanco oposto, também ele não ajudou
convenientemente o extremo em tarefas atacantes. Demorou a "domesticar"
Paulo Sérgio.
PETIT (3). Experimentou a meia distância e apontou o livre de que resultou o
golo de Zahovic. Na segunda parte perdeu protagonismo e limitou a sua acção
à luta pela posse de bola no miolo.
TIAGO (4). Um mandão. Teve acção preponderante no meio-campo encarnado.
Até ao primeiro quatro de hora da segunda parte, ele e Zahovic foram
fundamentais no transporte de jogo para o ataque. O número 30 raramente
falhou um passe. Na fase de reacção academista, deu uma preciosa ajuda à
defesa. À beira do final da partida, Marinescu travou-o em falta na área,
mas o árbitro Martins dos Santos negou-lhe a grande penalidade.
JOÃO PEREIRA (3). Às vezes electrizante, outras inconsequente.
ZAHOVIC (3). Foi uma pena ter saído logo aos 61 minutos. Estava refinado no
passe e dinâmico na organização do ataque. O golo constituiu um justo prémio
para o desempenho do esloveno.
SIMÃO (3). Algumas boas jogadas pelo flanco esquerdo e, já no papel de
segundo ponta-de-lança, um passe perfeito para o golo que Sokota desperdiçou.
SOKOTA (3). Mesmo em missão de sacrifício e sentindo a falta de Nuno Gomes,
o croata teve pormenores interessantes e participou activamente na jogada do
segundo golo.
GEOVANNI (3). A falta de ritmo foi notória, mas conseguiu marcar no dia do
regresso à competição.
ALEX (3). Entrou cheio de vontade, oferecendo um golo a Geovanni.
FERNANDO AGUIAR (0). Alguns segundos em campo para homenagear o amigo.