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Jornada # 20 - 3 de Fevereiro 2003   

BENFICA - 2  ACADEMICA - 0

 

CRÓNICA
Benfica-Académica, 2-0: Ganhar de olhar no céu para manter Liga acesa

O Benfica venceu por Fehér e venceu para reduzir distâncias para FC Porto e Sporting. Que estão agora a nove e a quatro pontos. Já ali

O Benfica conquistou os três pontos, que eram aquilo que mais desejava levar do jogo que serviu para honrar a memória de Fehér, aproveitando desta forma para reduzir as distâncias que o separam de FC Porto e Sporting. Mas não o fez com brilhantismo e teve mesmo de submeter-se durante alguns períodos ao domínio de uma Académica que, pelo menos no meio-jogo, mostrou valer bem mais do que o penúltimo lugar que ocupa.

As equipas até mostraram lacunas semelhantes, relacionadas com a falta de finalizadores, mas o Benfica foi quem melhor superou esse problema. O que é natural, pois Camacho tinha à disposição jogadores de maior qualidade.

Sem outras opções para a frente, o espanhol voltou ao 4x3x3, ao Benfica de um ponta-de-lança só, entregando Sokota a um mar de camisolas negras. Já se sabia que o croata rende muito menos isolado na frente do que com um companheiro ao lado: apenas um dos seus sete golos nesta SuperLiga foi feito sem Nuno Gomes em campo.

E confirmou-se a ideia. Sokota saiu de campo com a camisola suada de tanto lutar, mas apenas com dois remates no activo. Nada de grave, pois terá, de qualquer modo, feito o que dele se esperava. Até porque o treinador apostava mais nos "sprints" de João Pereira e Simão, nos desequilíbrios de Zahovic e Tiago, nas bolas paradas de Petit. Especialmente nestas, que a inspiração era pouca.

Copiar na táctica

O problema é que, pela frente, o Benfica apanhou uma Académica personalizada. O estreante João Carlos Pereira copiou na táctica, é certo (o seu 4x3x3 era a versão benfiquista vista ao espelho, com a recomendável inversão do triângulo de meio-campo), mas a equipa surpreendeu pela segurança que evidenciou a tapar os caminhos que levavam à baliza de Pedro Roma e pelo futebol positivo exibido quando recuperava a bola e activava os extremos.

O problema estava, também aqui, na frente. Apesar do físico imponente, Kaká, o brasileiro que veio de Espanha, não é especialista em futebol aéreo nem homem de bola no espaço, caso em que a lentidão acaba por traí-lo. Como Sokota, gosta de bola no pé, para poder escondê-la e progredir utilizando o corpo. E disso raramente teve, pois os momentos mais conseguidos do futebol da Académica surgiram na sequência de arrancadas de Paulo Sérgio. Que Kaká não podia acompanhar.

O jogo decorria, assim, com um encaixe perfeito do 4x3x3 do Benfica no 4x3x3 da Académica. O risco assumido pelos visitantes até era grande. A equipa abdicava da maior arma defensiva do período em que era comandada por Vítor Oliveira (a exploração do fora--de-jogo) e permitia o um contra um nas alas: Nuno Luís com Simão, Fredy com João Pereira. Daí que tenha sido uma surpresa o apagamento dos extremos benfiquistas face ao brilho dos da Académica. Paulo Sérgio, um jovem que o Sporting poderá em breve aproveitar, teve mesmo nos pés a primeira grande ocasião de golo, aos 7 minutos.

Golo para Fehér

O Benfica acordou aí, percebeu o perigo e pressionou até chegar à vantagem, num livre de Petit que Zahovic aproveitou bem. Estavam decorridos 28 minutos, mas a festa, feita por todos os jogadores a apontar para o céu, foi ao minuto 29. O da camisola de Fehér.

Apesar de ter continuado a rematar e a ameaçar Moreira (acabou com mais três remates que o Benfica), a Académica do futebol ligado extinguiu-se pouco após o intervalo com a quebra física de alguns jogadores. Foi assim o Benfica quem chegou ao 2-0, através de Geovanni, que celebrou com um golo o regresso ao relvado quase três meses depois de se ter lesionado.

Para Camacho, que acabou com Simão ao meio, atrás de Sokota, a suprema ironia foi terem sido os extremos suplentes a dar-lhe tranquilidade. Afinal, há alternativas.

Árbitro

MARTINS DOS SANTOS (4). Para quem tem a fama, injusta, de ser um desbragado a mostrar cartões, surpreendeu ao ser o primeiro árbitro da presente SuperLiga a chegar ao fim de um jogo sem estrear o livro das advertências. E houve lances em que, se quisesse, podia tê-lo feito. Procurou deixar jogar e teve apenas um erro importante: deixou passar um "penalty" de Marinescu sobre Tiago, quase no final.

Espiões ingleses na bancada

O confronto foi observado por dois "espiões" ingleses. Charlton e Southampton enviaram emissários ao Estádio da Luz. Recorde-se que os dois clubes da Premier League anteriormente, no jogo com o Boavista, já tinham marcado presença no "ninho da águia" para referenciarem alguns jogadores.

Soares Franco presente

O vice-presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, deslocou-se ao Estádio da Luz para assistir ao encontro entre o Benfica e a Académica. O dirigente fez questão de mostrar o apoio leonino num momento delicado para os encarnados. Hermínio Loureiro, secretário de Estado do Desporto, também marcou presença.

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-ACADÉMICA, 2-0 (Zahovic 28', Geovanni 67')

23:07 - Final do encontro.

90' - Simão é rendido por FERNANDO AGUIAR. A braçadeira de capitão passa para o lateral Miguel.

90' - Vão-se jogar mais três minutos.

90' - Agora parece haver mão de Fredy dentro da grande área, após cruzamento de Miguel. O árbitro também nada assinala.

89' - Tiago adianta a bola e parece ser derrubado na área por Marinescu. Martins dos Santos manda seguir. Muitos protestos na Luz.

83' - Livre directo para Simão Sabrosa... Por cima da baliza de Pedro Roma.

82' - Última substituição na Académica. MARCELO por Paulo Sérgio.

80' - Kaká consegue uma série de fintas na área do Benfica... A bola acaba por ressaltar em Tiago, que quase faz um auto-golo.

75' - Grande oportunidade para a Académica. Kaká remata na passada para uma grande defesa de Moreira, a ceder canto. A bola saiu pela linha de fundo juntinho ao poste esquerdo.

69' - Na Académica entram MARINESCU e BUSZÁKY para os lugares de Paulo Adriano e Tixier.

67' - GOLO DO BENFICA... Jogada de entendimento do ataque encarnado. Sokota descobre Alex, que assiste GEOVANNI para elevar a contagem.

63' - Simão desce bem pelo flanco direito e serve Sokota, que remata torto, ao lado e por cima.

60' - Dupla substituição no Benfica. ALEX E GEOVANNI rendem João Pereira e Zahovic, respectivamente.

57' - Fábio Felício passa por Petit e remata ao lado da baliza de Moreira.

55' - Geovanni faz exercícios de aquecimento.

53' - Primeiro sinal de perigo na segunda parte. Paulo Sérgio isola-se no lado direito e remata às malhas laterais da baliza encarnada.

22:20 - Recomeça a partida, sem alterações nas equipas.

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22:05 - Intervalo na Luz.

43' - Cruzamento para o segundo poste de Paulo Sérgio... Tonel ganha a Argel de cabeça e acerta no poste.

41' - João Pereira assiste na perfeição Zahovic, que, completamente sozinho à entrada da área, atira ao lado. Displicente, o esloveno.

30' - Simão foge bem a Nuno Luís na esquerda mas deixa-se antecipar por Pedro Roma, que saiu da grande área para anular o lance.

28' - GOLO DO BENFICA... Livre de Petit e ZAHOVIC, com um subtil toque de cabeça, inaugura o marcador na Luz.

26' - Nova ameaça do ataque da Briosa. Agora foi Paulo Adriano que atirou por cima da trave da baliza de Moreira.

23' - Paulo Sérgio dinamiza o ataque da Académica. Já dentro da área e depois de uma jogada por si conduzida, o extremo deixa atrasado em Fábio Felício, que remata forte, mas por cima da barra.

19' - Kaká ganha a Argel e tenta o golo... Moreira defende com os pés.

18' - Simão tira Nuno Luís da frente e remata fraco à entrada da área... Pedro Roma só defende à segunda tentativa, perante a ameaça Sokota.

14' - Argel à boca da baliza, falha a emenda a um livre batido por Petit. Por cima da baliza.

10' - Simão dá em Sokota que, à entrada da área, rodopia e remata, mas à figura de Pedro Roma.

7' - Grande oportunidade para a Académica. Paulo Sérgio entra na área à vontade e é desarmado na hora do remate por Argel. O jogador do Sporting ganha o ressalto e atira de novo... Moreira oferece o corpo e evita o pior.

2' - Remate de Petit para defesa fácil de Pedro Roma.

21:23 - Começa a partida. Sai a Briosa.

21:20 - Na Luz, presta-se homenagem a Miklos Fehér com um minuto de silêncio rigorosamente respeitado.

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SuperLiga, 20ª jornada

Estádio do Sport Lisboa e Benfica, Lisboa

Árbitro: Martins dos Santos (Porto)

BENFICA
Moreira; Miguel, Argel, Ricardo Rocha, Armando; Petit e Tiago; João Pereira, Simão, Zahovic; Sokota

Suplentes: Bossio, Hélder, Cristiano, Fernando Aguiar, Alex, Geovanni e Manuel Fernandes

Treinador: José Antonio Camacho

ACADÉMICA
Pedro Roma; Nuno Luís, Tonel, José António, Fredy; Tixier, Paulo Adriano, Lucas, Paulo Sérgio, Fábio Felício; Kaká

Suplentes: Eduardo, Dyduch, Buszáky, Rui Miguel, Marinescu, Filipe Alvim e Marcelo

Treinador: João Carlos Pereira

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente à Académica: Tudo por quem ficará Sempre Ligado ao Bem

As feridas ainda não cicatrizaram, pelo que mais não se podia pedir a quem passou por tão grande tragédia. Mas os encarnados atingiram, afinal, o objectivo a que se propuseram. Conquistaram os três pontos e honraram a memória de Miklós Fehér

MOREIRA (4). Está cada vez melhor. Negou o golo por quatro vezes, opondo-se a remates perigosos de Paulo Sérgio, Kaká, Tonel e Buszáky. A vitória do Benfica começou a ser construída na baliza.

MIGUEL (3). Embora rigoroso na marcação a Fábio Felício, não demonstrou a habitual vocação ofensiva.

ARGEL (3). Revelou, de início, uma surpreendente falta de coordenação com Ricardo Rocha. A jogada individual de Paulo Sérgio, aos 7 minutos, foi prova disso. Serenou rapidamente e acabou a partida em bom plano.

RICARDO ROCHA (3). Deixou escapar Kaká em lance comprometedor. À semelhança de Argel, tornou-se menos permissivo com o passar do tempo.

ARMANDO (3). Tal como o companheiro do flanco oposto, também ele não ajudou convenientemente o extremo em tarefas atacantes. Demorou a "domesticar" Paulo Sérgio.

PETIT (3). Experimentou a meia distância e apontou o livre de que resultou o golo de Zahovic. Na segunda parte perdeu protagonismo e limitou a sua acção à luta pela posse de bola no miolo.

TIAGO (4). Um mandão. Teve acção preponderante no meio-campo encarnado. Até ao primeiro quatro de hora da segunda parte, ele e Zahovic foram fundamentais no transporte de jogo para o ataque. O número 30 raramente falhou um passe. Na fase de reacção academista, deu uma preciosa ajuda à defesa. À beira do final da partida, Marinescu travou-o em falta na área, mas o árbitro Martins dos Santos negou-lhe a grande penalidade.

JOÃO PEREIRA (3). Às vezes electrizante, outras inconsequente.

ZAHOVIC (3). Foi uma pena ter saído logo aos 61 minutos. Estava refinado no passe e dinâmico na organização do ataque. O golo constituiu um justo prémio para o desempenho do esloveno.

SIMÃO (3). Algumas boas jogadas pelo flanco esquerdo e, já no papel de segundo ponta-de-lança, um passe perfeito para o golo que Sokota desperdiçou.

SOKOTA (3). Mesmo em missão de sacrifício e sentindo a falta de Nuno Gomes, o croata teve pormenores interessantes e participou activamente na jogada do segundo golo.

GEOVANNI (3). A falta de ritmo foi notória, mas conseguiu marcar no dia do regresso à competição.

ALEX (3). Entrou cheio de vontade, oferecendo um golo a Geovanni.

FERNANDO AGUIAR (0). Alguns segundos em campo para homenagear o amigo.
 

 


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