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Jornada # 21 -  8 de Fevereiro 2004

BELENENSES - 0 BENFICA - 2

CRÓNICA
Belenenses-Benfica, 0-2: Na rota dos campeões com faróis de nevoeiro

O azar foi todo azul, é verdade. Mas a sorte também se procura e o Benfica foi inteligente, eficaz e solidário para saber conquistá-la

E o Sporting aqui tão perto. O Benfica saiu do Restelo com a certeza de que está de novo na luta pelo segundo lugar que esta época volta a dar direito à disputa da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O objectivo era esse, depois dos leões terem perdido quatro pontos nos dois últimos jogos. Camacho tinha dito que era obrigatório vencer o Belenenses e a equipa cumpriu à risca. Sem muito brilho, mas o suficiente para se orientar no denso nevoeiro que se abateu no Restelo. O anunciado ciclo decisivo (Restelo-Nacional-FC Porto) começa bem para o Benfica. A equipa está unida, não perde uma oportunidade para se mostrar solidária e, ontem, soube tirar proveito dos azares e dos erros do adversário para ser eficaz q.b. Para o Benfica, o Campeonato está relançado e uma vez que a vitória sobre o Nacional colocará os encarnados nas meias-finais da Taça de Portugal e que o Rosenborg não é propriamente um bicho-de- -sete-cabeças, quem se atreve a dizer que a época está a correr mal?

Maldição

Ontem, quem viu, bem cedo, a vida correr-lhe mal foi Augusto Inácio. Enquanto os espectadores se queixavam do nevoeiro (e nós também), Inácio bem se podia queixar da sorte. Ao minuto 13, foi obrigado a tirar Pelé por lesão (caiu mal e magoou-se no braço esquerdo) e aos 27 teve de substituir Paulo Sérgio também por lesão (no joelho). Ambos ocuparam o lugar de trinco, a pedra mais recuada do losango que se desenhou no meio-campo do Belenenses, pelo que ainda antes da meia hora já Marco Paulo (que começou como lateral-esquerdo) era o terceiro homem que passava por aquele (maldito) lugar.

Mas o azar não acabou aí. Quando o 1º tempo se esgotava, Emerson fracturou uma costela e já não voltou para a 2ª parte. Essa teve Fábio Rosa a trinco, Gonçalo Brandão como central e Marco Paulo de volta a lateral-esquerdo.

Inácio chegava assim ao intervalo com três substituições queimadas, mas fiel a um 4x4x2 que entrega a Neca a tarefa de fazer a ligação ao ataque. E em boa verdade só mesmo Neca é que se assumiu como o parco alimento de Antchouet e Hugo Henrique. Logo, o Belenenses era uma equipa que de vez em quando se esticava até à área de Moreira. Por isso, os verdadeiros momentos de perigo que criou junto da baliza do Benfica aconteceram muito esporadicamente. Os melhores: aos 2m, Antchouet fugiu mas não teve arte para rematar à baliza, a 2m do fim o mesmo gabonês fez uma vistosa bicicleta que saiu sobre a trave.

Irónico Armando

O Benfica esteve melhor, mas mesmo assim ficou sempre a ideia de que até ao intervalo poderia ter aproveitado melhor o seu evidente maior balanço ofensivo e especialmente o encolhimento belenense. Um remate de João Pereira que levou a bola à trave e mais dois de Simão foram curta produção para cenário tão favorável.

O que ficou do Benfica do primeiro tempo foi o desasossego de Sokota, os raides de Simão e de João Pereira e... o desacerto de Armando. O lateral-esquerdo falhou ene passes e foi, muitas vezes, um travão ao desenvolvimento de lances de ataque do Benfica pelo seu corredor.

Ironia das ironias. Depois de um cruzamento de Ruben ao qual Anchouet não conseguiu chegar, haveria de sair do pé direito de Armando o milimétrico passe para Sokota fazer o primeiro golo. O Benfica estava claramente mais mexido e aproveitou a onda. O Belenenses quis acompanhar o ritmo e reagiu com todas as suas forças e... limitações. Mas o Benfica esteve sempre mais dentro do meio-campo azul e com o segundo golo (outra vez a passe de Armando!) arrumou o jogo. O terceiro também poderia ter vindo, mas seria castigo demasiado severo para um Belenenses que naquelas circunstâncias só pedia a todos os santinhos para que mais ninguém se magoasse.

Árbitro

PEDRO HENRIQUES (3). Actuação autoritária, muito pelo facto de acompanhar de perto os lances, o que lhe confere logo uma imagem de credibilidade e... acerto. Controlou o jogo, que do ponto de vista disciplinar não foi complicado. Uma pequena mancha: Simão foi derrubado na área azul por Ruben Amorim. Correcta a decisão do auxiliar no 0-1. Sokota estava em "jogo".
  

 

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Belenenses: Mobilidade à frente com segurança total

SOKOTA (4). É fantástica a disponibilidade do croata! Preenche toda a área de ataque, desdobrando-se em múltiplas tarefas, desde a acutilância pelo golo aos espaços que tenta abrir para os companheiros, sem esquecer o papel de "pivot", ou seja, quando recua para procurar e depois distribuir jogo. Foi o que mais deu nas vistas no inicial período algo sombrio do Benfica e depois, oportuno e letal no remate, abriu o caminho para o triunfo.

Exibição conseguida, vitória clara e o segundo lugar a dois pontos. O empate do Sporting serviu por certo para a segurança evidenciada pelo Benfica em todo o jogo do Restelo. O adversário não "forçou" a mais e Sokota, Simão e João Pereira desequilibraram.

MOREIRA (3). A tal ideia da segurança começou no guarda-redes. O grau de dificuldade foi escasso, mas o controlo da sua área foi total.

MIGUEL (3). Antchouet prendeu-o, impedindo as habituais incursões, mas o lateral logrou, mesmo assim, uma actuação positivíssima: intransponível atrás e a espreitar todas as abertas possíveis.

ARGEL (3). Outro claro exemplo de autoridade e segurança. Não perdeu uma jogada e por pouco não ia marcando, num golpe de cabeça.

RICARDO ROCHA (3). A exemplo do companheiro de sector, foi rei e senhor no seu espaço. Ocupou-se de Hugo Henrique e não permitiu veleidades.

ARMANDO (3). Arrancou no segundo período para uma exibição brilhante, desmarcando Sokota para o primeiro golo e cruzando a preceito para o segundo. O pior foi de início: sem referência adversária para marcar, inibiu-se, atrapalhou e até a bola perdeu.

PETIT (3). Durante bastante tempo procurou pôr ordem na casa, preferindo lateralizar ou mesmo atrasar o esférico do que aumentar a confusão que reinava no último terço do relvado (defendido pelos azuis). Depois, com a equipa em vantagem, foi a peça do costume, sereno e com o tradicional sentido do colectivo sempre muito apurado. Não deixou Neca improvisar.

TIAGO (3). Dois remates no primeiro tempo e pouca visibilidade naquilo que ele faz tão bem, que é surgir na zona de finalização. Melhorou e, com mais espaço, esteve nos lances mais vistosos da equipa.

ZAHOVIC (3). Sem marcação, logo como peixe na água, esteve bem nas solicitações e na construção a meio-campo.

JOÃO PEREIRA (4). Veloz e decidido, "agarrou" bem o lugar, face à recuperação de Geovanni. Oportuno a fazer o 2-0, enviou a bola à barra (11') e foi dos mais desequilibradores.

SIMÃO (4). Aos 22' e aos 77' podia ter marcado. Transmitiu lucidez, desdobrou-se em tarefas e foi dos mais inconformados até aos golos.

F. AGUIAR (1). Dez minutos para contenção.

GEOVANNI (1). Dois "sprints".

M. FERNANDES (1). Estreia na SuperLiga.

 

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BELENENSES-BENFICA, 0-2 (Sokota 51', João Pereira 67')

90 m - Final do encontro.

90 m - CARTÃO AMARELO para Ruben Amorim.

90 m - Substituição no Benfica. Estreia de MANUEL FERNANDES, internacional sub-19, por troca com Tiago.

86 m - Substituição no Benfica. João Pereira dá lugar a GEOVANNI.

80 m - Substituição no Benfica. Zahovic por FERNANDO AGUIAR.

76 m - Excelente defesa de Moreira a soco, após desvio de cabeça de Marco Paulo a cruzamento de Neca.

67 m - GOLO DO BENFICA. JOÃO PEREIRA eleva a contagem. Lance de ataque encarnado, com Armando, na esquerda, a cruzar ao segundo poste, onde aparece o jovem jogador, sem opositores, a rematar de primeira.

62 m - CARTÃO AMARELO para Zahovic, por carga sobre Neca.

57 m - Simão cai na grande-área, aparentemente carregado por Marco Paulo. Pedro Henriques nada assinala.

51 m - GOLO DO BENFICA. Isolado na área, após passe de Armando, SOKOTA inaugura o marcador, beneficiando ainda de uma desatenção grave da defesa belenense.

49 m - Perigo para o Benfica. Antchouet falha por pouco uma bola cruzada por Rúben.

46 m - Recomeça o encontro.
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45 m - Intervalo.

45 m - Pedro Henriques manda jogar mais dois minutos.

44 m - Remate de Tiago à figura do guardião brasileiro, depois de um primeiro pontapé de Simão.

39 m - Tiago atira ainda longe da baliza belenense, mas a bola sai por cima do travessão.

27 m - Inácio novamente obrigado a fazer outra alteração. Agora é Paulo Sérgio, que sai lesionado. Para o seu lugar entra GONÇALO BRANDÃO.

23 m - Simão, de novo a rematar à baliza azul, após boa assistência de Zahovic. A bola sai ao lado

17 m - Remate intencional de Simão ao primeiro poste, tentando surpreender Marco Aurélio.

13 m - Primeira substituição do jogo e para o Belenenses. Pelé sai prematuramente com uma lesão no ombro e dá lugar a EMERSON.

11 m - Excelente resposta do Benfica, com João Pereira, já dentro da área, ganha um ressalto e, de pé esquerdo, atira à barra da baliza belenense. A bola ressalta para o relvado e Marco Aurélio ainda consegue aliviar a bola antes desta entrar.

3 m - O Belenenses entra melhor no encontro e cria a primeira oportunidade. Antchouet, lançado a passe de Wilson, corre para a baliza encarnada, mas Moreira antecipa-se e agarra a bola.

19:45 - Início da partida. Sai o Benfica.
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21ª JORNADA DA SUPERLIGA

BELENENSES-BENFICA
Estádio do Restelo, em Lisboa
Árbitro: Pedro Henriques, de Lisboa
Hora: 19:45

BELENENSES
Marco Aurélio, Sousa, Paulo Sérgio, Wilson, Marco Paulo, Pelé, Tuck, Rúben Amorim, Antchouet, Neca e Hugo Henrique.

Suplentes: Pedro Alves, Paulo Sérgio, Emerson, Gonçalo Brandão, Fábio Rosa, Verona e Ceará.

Treinador
Augusto Inácio

BENFICA
Moreira, Miguel, Argel, Ricardo Rocha, Armando, Tiago, Petit, João Pereira, Zahovic, Simão e Sokota.

Suplentes: Bossio, Manuel Fernandes, Fernando Aguiar, Alex, Hélder, Geovanni e Cristiano.

Treinador
José Antonio Camacho

 

 

 

 


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