CRÓNICA Belenenses-Benfica, 0-2:
Na rota dos campeões com faróis de nevoeiro
O azar foi todo azul, é verdade. Mas a sorte também
se procura e o Benfica foi inteligente, eficaz e solidário para saber
conquistá-la
E o
Sporting aqui tão perto. O Benfica saiu do Restelo com a certeza de que está
de novo na luta pelo segundo lugar que esta época volta a dar direito à
disputa da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O objectivo era esse,
depois dos leões terem perdido quatro pontos nos dois últimos jogos. Camacho
tinha dito que era obrigatório vencer o Belenenses e a equipa cumpriu à
risca. Sem muito brilho, mas o suficiente para se orientar no denso nevoeiro
que se abateu no Restelo. O anunciado ciclo decisivo (Restelo-Nacional-FC
Porto) começa bem para o Benfica. A equipa está unida, não perde uma
oportunidade para se mostrar solidária e, ontem, soube tirar proveito dos
azares e dos erros do adversário para ser eficaz q.b. Para o Benfica, o
Campeonato está relançado e uma vez que a vitória sobre o Nacional colocará
os encarnados nas meias-finais da Taça de Portugal e que o Rosenborg não é
propriamente um bicho-de- -sete-cabeças, quem se atreve a dizer que a época
está a correr mal?
Maldição
Ontem, quem viu, bem cedo, a vida correr-lhe mal foi Augusto Inácio.
Enquanto os espectadores se queixavam do nevoeiro (e nós também), Inácio bem
se podia queixar da sorte. Ao minuto 13, foi obrigado a tirar Pelé por lesão
(caiu mal e magoou-se no braço esquerdo) e aos 27 teve de substituir Paulo
Sérgio também por lesão (no joelho). Ambos ocuparam o lugar de trinco, a
pedra mais recuada do losango que se desenhou no meio-campo do Belenenses,
pelo que ainda antes da meia hora já Marco Paulo (que começou como lateral-esquerdo)
era o terceiro homem que passava por aquele (maldito) lugar.
Mas o azar não acabou aí. Quando o 1º tempo se esgotava, Emerson fracturou
uma costela e já não voltou para a 2ª parte. Essa teve Fábio Rosa a trinco,
Gonçalo Brandão como central e Marco Paulo de volta a lateral-esquerdo.
Inácio chegava assim ao intervalo com três substituições queimadas, mas fiel
a um 4x4x2 que entrega a Neca a tarefa de fazer a ligação ao ataque. E em
boa verdade só mesmo Neca é que se assumiu como o parco alimento de
Antchouet e Hugo Henrique. Logo, o Belenenses era uma equipa que de vez em
quando se esticava até à área de Moreira. Por isso, os verdadeiros momentos
de perigo que criou junto da baliza do Benfica aconteceram muito
esporadicamente. Os melhores: aos 2m, Antchouet fugiu mas não teve arte para
rematar à baliza, a 2m do fim o mesmo gabonês fez uma vistosa bicicleta que
saiu sobre a trave.
Irónico Armando
O Benfica esteve melhor, mas mesmo assim ficou sempre a ideia de que até ao
intervalo poderia ter aproveitado melhor o seu evidente maior balanço
ofensivo e especialmente o encolhimento belenense. Um remate de João Pereira
que levou a bola à trave e mais dois de Simão foram curta produção para
cenário tão favorável.
O que ficou do Benfica do primeiro tempo foi o desasossego de Sokota, os
raides de Simão e de João Pereira e... o desacerto de Armando. O lateral-esquerdo
falhou ene passes e foi, muitas vezes, um travão ao desenvolvimento de
lances de ataque do Benfica pelo seu corredor.
Ironia das ironias. Depois de um cruzamento de Ruben ao qual Anchouet não
conseguiu chegar, haveria de sair do pé direito de Armando o milimétrico
passe para Sokota fazer o primeiro golo. O Benfica estava claramente mais
mexido e aproveitou a onda. O Belenenses quis acompanhar o ritmo e reagiu
com todas as suas forças e... limitações. Mas o Benfica esteve sempre mais
dentro do meio-campo azul e com o segundo golo (outra vez a passe de
Armando!) arrumou o jogo. O terceiro também poderia ter vindo, mas seria
castigo demasiado severo para um Belenenses que naquelas circunstâncias só
pedia a todos os santinhos para que mais ninguém se magoasse.
Árbitro
PEDRO HENRIQUES (3). Actuação autoritária, muito pelo facto de acompanhar de
perto os lances, o que lhe confere logo uma imagem de credibilidade e...
acerto. Controlou o jogo, que do ponto de vista disciplinar não foi
complicado. Uma pequena mancha: Simão foi derrubado na área azul por Ruben
Amorim. Correcta a decisão do auxiliar no 0-1. Sokota estava em "jogo".
APRECIAÇÃO À EQUIPA Benfica frente ao Belenenses:
Mobilidade à frente com segurança total
SOKOTA (4). É fantástica a disponibilidade do croata!
Preenche toda a área de ataque, desdobrando-se em múltiplas tarefas, desde a
acutilância pelo golo aos espaços que tenta abrir para os companheiros, sem
esquecer o papel de "pivot", ou seja, quando recua para procurar e depois
distribuir jogo. Foi o que mais deu nas vistas no inicial período algo sombrio
do Benfica e depois, oportuno e letal no remate, abriu o caminho para o triunfo.
Exibição conseguida, vitória clara e o segundo lugar a dois
pontos. O empate do Sporting serviu por certo para a segurança evidenciada pelo
Benfica em todo o jogo do Restelo. O adversário não "forçou" a mais e Sokota,
Simão e João Pereira desequilibraram.
MOREIRA (3). A tal ideia da segurança começou no guarda-redes. O grau de
dificuldade foi escasso, mas o controlo da sua área foi total.
MIGUEL (3). Antchouet prendeu-o, impedindo as habituais incursões, mas o lateral
logrou, mesmo assim, uma actuação positivíssima: intransponível atrás e a
espreitar todas as abertas possíveis.
ARGEL (3). Outro claro exemplo de autoridade e segurança. Não perdeu uma jogada
e por pouco não ia marcando, num golpe de cabeça.
RICARDO ROCHA (3). A exemplo do companheiro de sector, foi rei e senhor no seu
espaço. Ocupou-se de Hugo Henrique e não permitiu veleidades.
ARMANDO (3). Arrancou no segundo período para uma exibição brilhante,
desmarcando Sokota para o primeiro golo e cruzando a preceito para o segundo. O
pior foi de início: sem referência adversária para marcar, inibiu-se, atrapalhou
e até a bola perdeu.
PETIT (3). Durante bastante tempo procurou pôr ordem na casa, preferindo
lateralizar ou mesmo atrasar o esférico do que aumentar a confusão que reinava
no último terço do relvado (defendido pelos azuis). Depois, com a equipa em
vantagem, foi a peça do costume, sereno e com o tradicional sentido do colectivo
sempre muito apurado. Não deixou Neca improvisar.
TIAGO (3). Dois remates no primeiro tempo e pouca visibilidade naquilo que ele
faz tão bem, que é surgir na zona de finalização. Melhorou e, com mais espaço,
esteve nos lances mais vistosos da equipa.
ZAHOVIC (3). Sem marcação, logo como peixe na água, esteve bem nas solicitações
e na construção a meio-campo.
JOÃO PEREIRA (4). Veloz e decidido, "agarrou" bem o lugar, face à recuperação de
Geovanni. Oportuno a fazer o 2-0, enviou a bola à barra (11') e foi dos mais
desequilibradores.
SIMÃO (4). Aos 22' e aos 77' podia ter marcado. Transmitiu lucidez, desdobrou-se
em tarefas e foi dos mais inconformados até aos golos.
F. AGUIAR (1). Dez minutos para contenção.
GEOVANNI (1). Dois "sprints".
M. FERNANDES (1). Estreia na SuperLiga.
MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA BELENENSES-BENFICA, 0-2 (Sokota 51', João
Pereira 67')
90 m - Final do encontro.
90 m - CARTÃO AMARELO para Ruben Amorim.
90 m - Substituição no Benfica. Estreia de MANUEL FERNANDES, internacional
sub-19, por troca com Tiago.
86 m - Substituição no Benfica. João Pereira dá lugar a GEOVANNI.
80 m - Substituição no Benfica. Zahovic por FERNANDO AGUIAR.
76 m - Excelente defesa de Moreira a soco, após desvio de cabeça de Marco Paulo
a cruzamento de Neca.
67 m - GOLO DO BENFICA. JOÃO PEREIRA eleva a contagem. Lance de ataque
encarnado, com Armando, na esquerda, a cruzar ao segundo poste, onde aparece o
jovem jogador, sem opositores, a rematar de primeira.
62 m - CARTÃO AMARELO para Zahovic, por carga sobre Neca.
57 m - Simão cai na grande-área, aparentemente carregado por Marco Paulo. Pedro
Henriques nada assinala.
51 m - GOLO DO BENFICA. Isolado na área, após passe de Armando, SOKOTA
inaugura o marcador, beneficiando ainda de uma desatenção grave da defesa
belenense.
49 m - Perigo para o Benfica. Antchouet falha por pouco uma bola cruzada por
Rúben.
46 m - Recomeça o encontro.
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45 m - Intervalo.
45 m - Pedro Henriques manda jogar mais dois minutos.
44 m - Remate de Tiago à figura do guardião brasileiro, depois de um primeiro
pontapé de Simão.
39 m - Tiago atira ainda longe da baliza belenense, mas a bola sai por cima do
travessão.
27 m - Inácio novamente obrigado a fazer outra alteração. Agora é Paulo Sérgio,
que sai lesionado. Para o seu lugar entra GONÇALO BRANDÃO.
23 m - Simão, de novo a rematar à baliza azul, após boa assistência de Zahovic.
A bola sai ao lado
17 m - Remate intencional de Simão ao primeiro poste, tentando surpreender Marco
Aurélio.
13 m - Primeira substituição do jogo e para o Belenenses. Pelé sai
prematuramente com uma lesão no ombro e dá lugar a EMERSON.
11 m - Excelente resposta do Benfica, com João Pereira, já dentro da área, ganha
um ressalto e, de pé esquerdo, atira à barra da baliza belenense. A bola
ressalta para o relvado e Marco Aurélio ainda consegue aliviar a bola antes
desta entrar.
3 m - O Belenenses entra melhor no encontro e cria a primeira oportunidade.
Antchouet, lançado a passe de Wilson, corre para a baliza encarnada, mas Moreira
antecipa-se e agarra a bola.
19:45 - Início da partida. Sai o Benfica.
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21ª JORNADA DA SUPERLIGA
BELENENSES-BENFICA
Estádio do Restelo, em Lisboa
Árbitro: Pedro Henriques, de Lisboa
Hora: 19:45
BELENENSES
Marco Aurélio, Sousa, Paulo Sérgio, Wilson, Marco Paulo, Pelé, Tuck, Rúben
Amorim, Antchouet, Neca e Hugo Henrique.
Suplentes: Pedro Alves, Paulo Sérgio, Emerson, Gonçalo Brandão, Fábio Rosa,
Verona e Ceará.
Treinador
Augusto Inácio
BENFICA
Moreira, Miguel, Argel, Ricardo Rocha, Armando, Tiago, Petit, João Pereira,
Zahovic, Simão e Sokota.
Suplentes: Bossio, Manuel Fernandes, Fernando Aguiar, Alex, Hélder, Geovanni e
Cristiano.