Free Web Hosting by Netfirms
Web Hosting by Netfirms | Free Domain Names by Netfirms

   

            

      

 

 

Jornada # 23 - 22 de Janeiro 2004   

NACIONAL - 3  BENFICA - 2

CRÓNICA
Nacional-Benfica, 3-2: Um castigo já habitual para a águia desleixada

Com um golo de livre e dois de canto, o Nacional venceu um Benfica todo ele estranho, desde a constituição da equipa à sua atitude

Um livre, dois cantos e três pontos para o Nacional; 15 golos para Adriano, melhor marcador da SuperLiga e confirmação da veia ofensiva de uma equipa que, na Choupana, não olha a adversário para atacar e correr riscos para ser feliz. Perante um Benfica inseguro, que sofreu um golo quando merecia, virou o resultado quando estava a ser melhor e perdeu por distracção, o Nacional manteve sempre acesa a chama ofensiva.

E mesmo na fase final, com os encarnados a pressionarem fortemente, a equipa não só manteve a tranquilidade a defender como soube criar as condições para contra-atacar, deixando a defesa benfiquista em permanente sobressalto. O Benfica não se pode queixar - sabia tudo sobre o antagonista: tinha sentido dificuldades para o vencer nos quartos-de-final da Taça e não era segredo que o Nacional vinha de sete jogos sem perder (quatro vitórias e três empates).

Sem soluções

No terreno da equipa que mais golos marca na condição de visitada, o Benfica teve um início calamitoso, incapaz de levar a bola para a frente, com grandes problemas no embate a meio-campo e inofensivo no ataque. O Nacional, que sabe ter a bola sem pressa de chegar à baliza e possui talento em quantidade e qualidade suficiente para resolver em espaços curtos, depressa ganhou ascendente territorial e tomou a iniciativa.

O golo de Adriano, aos 10', serviu para acentuar os dados da confiança dos jogadores insulares, ao mesmo tempo que fazia mergulhar o Benfica numa situação para a qual não se vislumbrava, à primeira vista, qualquer solução.

Os encarnados apresentaram um sector intermediário com muito músculo mas inábil a lidar com a bola; de quilometragem elevada mas sem arte para criar surpresa pela progressão ou pela rotura do passe. A perder, o Benfica subiu no terreno, levou o jogo para níveis físicos que o favoreciam e ganhou ascendente. Mas mesmo nessa altura a equipa foi previsível na transposição e viveu quase sempre à custa do fulgor de Simão e da capacidade de Nuno Gomes segurar a bola e esperar pela chegada dos médios.

O pior é que Geovanni foi zero em jogo e na vontade de combater a desinspiração - e como se não bastasse o que não construiu, ainda abriu uma auto-estrada para Rossato aproveitar como lhe desse jeito. Aos poucos, a equipa dava resposta a dúvidas quanto à sua constituição; podia ser que, afinal, a mexida no eixo da defesa não se revelasse fatal; talvez Geovanni reencontrasse o caminho e Fyssas confirmasse que o lugar de Armando é no banco. Podia até acontecer que Zahovic e Sokota não fizessem falta.

Todos os dados

Para a segunda parte o Benfica dispunha de todos os dados para medir a solenidade do momento: sabia que o rival Sporting empatara em Barcelos e bastava-lhe seguir o instinto para perceber que criara ascendente territorial sobre um adversário que baixou aos poucos, até se tornar acessível. O golo de Nuno Gomes, aos 52', foi o corolário da superioridade e a confirmação da tendência.

Mas se já tinha sofrido de livre, em menos de cinco minutos voltava a ser penalizado com dois golos de canto. Uma semana depois de ter consentido o empate com o FC Porto por não cuidar dos pormenores (golo de canto, pois como havia de ser?), o Benfica voltou a distrair-se. Não saboreou a reviravolta no marcador e, de repente, estava outra vez a perder, com a desvantagem de estar ainda mais vulnerável às insuficiências detectadas desde o início.

Com João Pereira em vez Geovanni, Alex no lugar de Fernando Aguiar e Simão nas costas de Nuno Gomes, o Benfica lançou-se à aventura, nem sempre de forma consciente e segura. O balanceamento ofensivo destapou a retaguarda e pôs ainda mais a nu as dificuldades sentidas pela surpreendente dupla de centrais apresentada - Hélder melhor que Luisão, ambos a mostrarem que no eixo da defesa o valor da rotina, do entendimento e da segurança não aconselham a mudanças tão drásticas e ainda por cima difíceis de compreender à luz do rendimento de Argel e Ricardo Rocha.

Até final, o Nacional geriu como pôde a ofensiva encarnada - criou alguns embaraços mas esteve sempre muito reduzida ao talento e ao carácter de Simão Sabrosa - e encontrou o espaço necessário para o contra-ataque ameaçador. Apesar de a ansiedade ser tormento a dividir por dois - uns em busca do golo do empate, os outros a defender a vantagem no marcador -, pairou sempre a ideia de que seria mais fácil ao Nacional garantir a vantagem do que ao Benfica ultrapassar a desinspiração.

Só por acaso os encarnados seriam capazes de desferir o golpe que lhes evitasse a derrota. Razão pela qual, entre pecados próprios e acerto alheio, não se podem queixar do resultado.

Árbitro

AUGUSTO DUARTE (4). Bom trabalho do juiz bracarense. Acompanhou os lances de perto, foi criterioso no capítulo disciplinar e não cometeu erros técnicos. Dito de outra forma, conduziu bem o jogo, foi coerente nas decisões e isso, nos tempos que correm, é mais importante do que estarmos aqui a contabilizar se errou mais para um lado do que para o outro. Boa nota.

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Nacional: A ideia peregrina de mudar os centrais

A mudança de centrais (e não só) explica em grande parte a derrota. Luisão está longe de se assumir como reforço e Hélder voltou a comprometer. Três golos sofridos na pequena área suscitam a questão: Que mal fizeram Argel e Rocha para ficaram no banco?

MOREIRA (2). Sofrer três golos na pequena área nada abona a favor de um guarda-redes. Não cometeu, mesmo assim, qualquer fífia flagrante.

MIGUEL (2). Nunca acertou nas marcações, principalmente quando Rossato subia e provocava desequilíbrios no flanco direito do Benfica. A falta de ajuda por parte de Geovanni serve-lhe como atenuante.

HÉLDER (2). Fez uma primeira parte razoável com alguns cortes providenciais. Depois, Adriano marcou o segundo nas "barbas" do capitão benfiquista e este nunca mais se encontrou.

LUISÃO (1). Lento, faltoso e sem sentido de marcação. No jogo aéreo (a única arma que demonstrou ter desde que foi contratado...), o fracasso também foi total. Co-responsável nos tentos do adversário, falhou um cabeceamento relativamente fácil na área contrário, quando se encontrava liberto de marcação.

FYSSAS (3). Aos 10 minutos, o árbitro já lhe perdoara o amarelo por duas vezes. Grato, talvez, pela terceira oportunidade, o grego realizou um trabalho rigoroso.

FERNANDO AGUIAR (2). A raça, a luta mas também o atabalhoamento do costume.

PETIT (3). Cometeu a falta que permitiu o primeiro golo do adversário, quando tentava dobrar um companheiro. Sem brilhar, tornou-se, contudo, um elemento importante no miolo benfiquista.

TIAGO (2). Um passe genial a desmarcar Nuno Gomes, aos 40 minutos, e um remate para a defesa da noite, por parte de Hilário. Muito pouco para hora e meia de futebol. Não se assumiu como o dinamizador do jogo ofensivo.

GEOVANNI (1). Não acompanhou Rossato nas descidas do brasileiro pelo flanco esquerdo, obrigando Miguel a trabalho redobrado e teve produção quase nula em termos ofensivos. Que bela soneca a do brasileiro, ontem, na Choupana.

SIMÃO (3). Apareceu em jogo à meia hora para marcar de forma superior um livre directo talhado para ele. Na fase de desnorte da equipa, foi dos poucos que não perdeu a serenidade e tentou remar contra a maré, emprestando algum dinamismo ao conjunto. Teve o empate nos pés, aos 85 minutos, mas atirou por cima da barra. Numa noite em que os encarnados tiveram um desempenho medíocre, o extremo conseguiu ser o menos mau de todos.

NUNO GOMES (2). Marcou um golo com a elegância que o caracteriza mas revelou-se algo macio no choque e confuso nas tabelas com os companheiros.

JOÃO PEREIRA (2). Correu o dobro de Geovanni em metade do tempo.

ALEX (1). Nada acrescentou.

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
NACIONAL-BENFICA, 3-2 (Adriano 10' e 54', Gouveia 56'; Simão 30', Nuno Gomes 51')

22:08 - Final da partida.

90' - Emerson remata de muito longe, mas a bola sai ao lado da baliza de Moreira, que não estava lá.

90' - Mior faz mais uma alteração: entra EMERSON para o lugar de Cléber.

90' - Vão-se jogar mais quatro minutos.

86' - Diego surge na área e quase decide a partida, mas o cabeceamento do jogador do Nacional sai ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza encarnada.

85' - No Nacional, sai Alexandre Goulart e entra DIEGO.

84' - Tiago faz uma simulação e deixa para Simão, que remata de primeira, mas por cima da baliza de Hilário.

76' - Agora é Tiago a criar perigo, com um remate em arco... Hilário responde com uma grande defesa.

68' - Simão ganha espaço à entrada da área e remata com pé direito, ao lado do poste esquerdo de Hilário. No entanto, a bola tabelou num defesa. Pontapé de canto.

65' - Substituição no Benfica: Sai Fernando Aguiar, entra ALEX.

64' - Petit cruza da direita, mas ninguém consegue chegar a tempo de fazer a emenda.

63' - Primeira alteração de Camacho: JOÃO PEREIRA entra para o lugar de Geovanni.

62' - Livre directo para o pé direito de Simão. A bola sai ligeiramente por cima da baliza de Hilário.

62' - CARTÃO AMARELO para Patacas.

61' - Remate potente de Tiago de fora da área... Hilário defende a dois tempos.

56' - GOLO DO NACIONAL... Agora foi um canto do lado direito... GOUVEIA, ao segundo poste, sem marcação, eleva-se bem e coloca os madeirenses outra vez em vantagem... Partida electrizante na Choupana.

54' - GOLO DO NACIONAL... Pontapé de canto na esquerda apontado por Alexandre Goulart e ADRIANO, no meio da confusão, iguala de novo a partida.

51' - GOLO DO BENFICA... Passe longo de Miguel... Cardozo e Hilário falham e NUNO GOMES, oportuno, coloca os encarnados pela primeira vez em vantagem na Choupana.

47' - CARTÃO AMARELO para Tiago.

21:19 - Recomeça o encontro, sem alterações nas equipas.

...........................................................

21:03 - Intervalo.

40' - Tiago isola Nuno Gomes, mas o avançado demora muito tempo a preparar o remate e deixa-se antecipar pelo guarda-redes Hilário.

32' - Rossato entra na área, mas é desarmado por Hélder quando se preparava para rematar. Providencial, o capitão encarnado.

30' - GOLO DO BENFICA... Livre directo para o pé de direito de SIMÃO, que coloca a bola no canto superior esquerdo da baliza de Hilário. Está restabelecido o empate no Funchal.

27' - Petit atira de longe... A bola sai do estádio. Que péssimo remate do médio do Benfica.

20' - Cartão amarelo para Geovanni.

19' - Livre na esquerda para Fyssas... Luisão cabeceia, ao lado.

10' - GOLO DO NACIONAL... Livre apontado por Patacas e ADRIANO, à boca da baliza, de cabeça, inaugura o marcador na Choupana. Moreira estava mal colocado.

5' - Serginho Baiano surge solto na esquerda e tenta o remate... Muito ao lado da baliza encarnada.

20:15 - Início da partida.

.........................................................

SuperLiga, 23ª jornada

Estádio Eng. Rui Alves, Funchal

Árbitro: Augusto Duarte (Braga)

NACIONAL
Hilário; Patacas, Fernando Cardozo, Ávalos, Rossato; Paulo Assunção, Cléber, Gouveia; Serginho Baiano, Alexandre Goulart e Adriano

Suplentes: Belman, Emerson, João Fidalgo, Ricardo Alves, Serginho Cunha, Ivo e Cleomir

Treinador: Casemiro Mior

BENFICA
Moreira; Miguel, Luísão, Hélder, Fyssas; Petit, Fernando Aguiar, Tiago; Simão, Geovanni e Nuno Gomes

Suplentes: Bossio, Armando Sá, Argel, Alex, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes e João Pereira

Treinador: José Antonio Camacho

 

 

 

 


Home
Back