CRÓNICA Nacional-Benfica, 3-2: Um castigo já habitual para a águia desleixada
Com um golo de livre e dois de canto, o Nacional venceu um Benfica todo
ele estranho, desde a constituição da equipa à sua atitude
Um livre, dois cantos e três pontos para o Nacional; 15 golos para
Adriano, melhor marcador da SuperLiga e confirmação da veia ofensiva de uma
equipa que, na Choupana, não olha a adversário para atacar e correr riscos
para ser feliz. Perante um Benfica inseguro, que sofreu um golo quando
merecia, virou o resultado quando estava a ser melhor e perdeu por
distracção, o Nacional manteve sempre acesa a chama ofensiva.
E mesmo na fase final, com os encarnados a pressionarem fortemente, a equipa
não só manteve a tranquilidade a defender como soube criar as condições para
contra-atacar, deixando a defesa benfiquista em permanente sobressalto. O
Benfica não se pode queixar - sabia tudo sobre o antagonista: tinha sentido
dificuldades para o vencer nos quartos-de-final da Taça e não era segredo
que o Nacional vinha de sete jogos sem perder (quatro vitórias e três
empates).
Sem soluções
No terreno da equipa que mais golos marca na condição de visitada, o Benfica
teve um início calamitoso, incapaz de levar a bola para a frente, com
grandes problemas no embate a meio-campo e inofensivo no ataque. O Nacional,
que sabe ter a bola sem pressa de chegar à baliza e possui talento em
quantidade e qualidade suficiente para resolver em espaços curtos, depressa
ganhou ascendente territorial e tomou a iniciativa.
O golo de Adriano, aos 10', serviu para acentuar os dados da confiança dos
jogadores insulares, ao mesmo tempo que fazia mergulhar o Benfica numa
situação para a qual não se vislumbrava, à primeira vista, qualquer solução.
Os encarnados apresentaram um sector intermediário com muito músculo mas
inábil a lidar com a bola; de quilometragem elevada mas sem arte para criar
surpresa pela progressão ou pela rotura do passe. A perder, o Benfica subiu
no terreno, levou o jogo para níveis físicos que o favoreciam e ganhou
ascendente. Mas mesmo nessa altura a equipa foi previsível na transposição e
viveu quase sempre à custa do fulgor de Simão e da capacidade de Nuno Gomes
segurar a bola e esperar pela chegada dos médios.
O pior é que Geovanni foi zero em jogo e na vontade de combater a
desinspiração - e como se não bastasse o que não construiu, ainda abriu uma
auto-estrada para Rossato aproveitar como lhe desse jeito. Aos poucos, a
equipa dava resposta a dúvidas quanto à sua constituição; podia ser que,
afinal, a mexida no eixo da defesa não se revelasse fatal; talvez Geovanni
reencontrasse o caminho e Fyssas confirmasse que o lugar de Armando é no
banco. Podia até acontecer que Zahovic e Sokota não fizessem falta.
Todos os dados
Para a segunda parte o Benfica dispunha de todos os dados para medir a
solenidade do momento: sabia que o rival Sporting empatara em Barcelos e
bastava-lhe seguir o instinto para perceber que criara ascendente
territorial sobre um adversário que baixou aos poucos, até se tornar
acessível. O golo de Nuno Gomes, aos 52', foi o corolário da superioridade e
a confirmação da tendência.
Mas se já tinha sofrido de livre, em menos de cinco minutos voltava a ser
penalizado com dois golos de canto. Uma semana depois de ter consentido o
empate com o FC Porto por não cuidar dos pormenores (golo de canto, pois
como havia de ser?), o Benfica voltou a distrair-se. Não saboreou a
reviravolta no marcador e, de repente, estava outra vez a perder, com a
desvantagem de estar ainda mais vulnerável às insuficiências detectadas
desde o início.
Com João Pereira em vez Geovanni, Alex no lugar de Fernando Aguiar e Simão
nas costas de Nuno Gomes, o Benfica lançou-se à aventura, nem sempre de
forma consciente e segura. O balanceamento ofensivo destapou a retaguarda e
pôs ainda mais a nu as dificuldades sentidas pela surpreendente dupla de
centrais apresentada - Hélder melhor que Luisão, ambos a mostrarem que no
eixo da defesa o valor da rotina, do entendimento e da segurança não
aconselham a mudanças tão drásticas e ainda por cima difíceis de compreender
à luz do rendimento de Argel e Ricardo Rocha.
Até final, o Nacional geriu como pôde a ofensiva encarnada - criou alguns
embaraços mas esteve sempre muito reduzida ao talento e ao carácter de Simão
Sabrosa - e encontrou o espaço necessário para o contra-ataque ameaçador.
Apesar de a ansiedade ser tormento a dividir por dois - uns em busca do golo
do empate, os outros a defender a vantagem no marcador -, pairou sempre a
ideia de que seria mais fácil ao Nacional garantir a vantagem do que ao
Benfica ultrapassar a desinspiração.
Só por acaso os encarnados seriam capazes de desferir o golpe que lhes
evitasse a derrota. Razão pela qual, entre pecados próprios e acerto alheio,
não se podem queixar do resultado.
Árbitro
AUGUSTO DUARTE (4). Bom trabalho do juiz bracarense. Acompanhou os lances de
perto, foi criterioso no capítulo disciplinar e não cometeu erros técnicos.
Dito de outra forma, conduziu bem o jogo, foi coerente nas decisões e isso,
nos tempos que correm, é mais importante do que estarmos aqui a contabilizar
se errou mais para um lado do que para o outro. Boa nota.
APRECIAÇÃO À EQUIPA Benfica frente ao Nacional: A ideia peregrina de mudar os centrais
A mudança de centrais (e não só) explica em grande parte a derrota. Luisão
está longe de se assumir como reforço e Hélder voltou a comprometer. Três golos
sofridos na pequena área suscitam a questão: Que mal fizeram Argel e Rocha para
ficaram no banco?
MOREIRA (2). Sofrer três golos na pequena área nada abona a favor de um
guarda-redes. Não cometeu, mesmo assim, qualquer fífia flagrante.
MIGUEL (2). Nunca acertou nas marcações, principalmente quando Rossato subia e
provocava desequilíbrios no flanco direito do Benfica. A falta de ajuda por
parte de Geovanni serve-lhe como atenuante.
HÉLDER (2). Fez uma primeira parte razoável com alguns cortes providenciais.
Depois, Adriano marcou o segundo nas "barbas" do capitão benfiquista e este
nunca mais se encontrou.
LUISÃO (1). Lento, faltoso e sem sentido de marcação. No jogo aéreo (a única
arma que demonstrou ter desde que foi contratado...), o fracasso também foi
total. Co-responsável nos tentos do adversário, falhou um cabeceamento
relativamente fácil na área contrário, quando se encontrava liberto de marcação.
FYSSAS (3). Aos 10 minutos, o árbitro já lhe perdoara o amarelo por duas vezes.
Grato, talvez, pela terceira oportunidade, o grego realizou um trabalho rigoroso.
FERNANDO AGUIAR (2). A raça, a luta mas também o atabalhoamento do costume.
PETIT (3). Cometeu a falta que permitiu o primeiro golo do adversário, quando
tentava dobrar um companheiro. Sem brilhar, tornou-se, contudo, um elemento
importante no miolo benfiquista.
TIAGO (2). Um passe genial a desmarcar Nuno Gomes, aos 40 minutos, e um remate
para a defesa da noite, por parte de Hilário. Muito pouco para hora e meia de
futebol. Não se assumiu como o dinamizador do jogo ofensivo.
GEOVANNI (1). Não acompanhou Rossato nas descidas do brasileiro pelo flanco
esquerdo, obrigando Miguel a trabalho redobrado e teve produção quase nula em
termos ofensivos. Que bela soneca a do brasileiro, ontem, na Choupana.
SIMÃO (3). Apareceu em jogo à meia hora para marcar de forma superior um
livre directo talhado para ele. Na fase de desnorte da equipa, foi dos poucos
que não perdeu a serenidade e tentou remar contra a maré, emprestando algum
dinamismo ao conjunto. Teve o empate nos pés, aos 85 minutos, mas atirou por
cima da barra. Numa noite em que os encarnados tiveram um desempenho medíocre, o
extremo conseguiu ser o menos mau de todos.
NUNO GOMES (2). Marcou um golo com a elegância que o caracteriza mas revelou-se
algo macio no choque e confuso nas tabelas com os companheiros.
JOÃO PEREIRA (2). Correu o dobro de Geovanni em metade do tempo.
ALEX (1). Nada acrescentou.
MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA NACIONAL-BENFICA, 3-2 (Adriano 10' e 54', Gouveia 56'; Simão 30', Nuno
Gomes 51')
22:08 - Final da partida.
90' - Emerson remata de muito longe, mas a bola sai ao lado da baliza de Moreira,
que não estava lá.
90' - Mior faz mais uma alteração: entra EMERSON para o lugar de Cléber.
90' - Vão-se jogar mais quatro minutos.
86' - Diego surge na área e quase decide a partida, mas o cabeceamento do
jogador do Nacional sai ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza
encarnada.
85' - No Nacional, sai Alexandre Goulart e entra DIEGO.
84' - Tiago faz uma simulação e deixa para Simão, que remata de primeira, mas
por cima da baliza de Hilário.
76' - Agora é Tiago a criar perigo, com um remate em arco... Hilário responde
com uma grande defesa.
68' - Simão ganha espaço à entrada da área e remata com pé direito, ao lado do
poste esquerdo de Hilário. No entanto, a bola tabelou num defesa. Pontapé de
canto.
65' - Substituição no Benfica: Sai Fernando Aguiar, entra ALEX.
64' - Petit cruza da direita, mas ninguém consegue chegar a tempo de fazer a
emenda.
63' - Primeira alteração de Camacho: JOÃO PEREIRA entra para o lugar de Geovanni.
62' - Livre directo para o pé direito de Simão. A bola sai ligeiramente por cima
da baliza de Hilário.
62' - CARTÃO AMARELO para Patacas.
61' - Remate potente de Tiago de fora da área... Hilário defende a dois tempos.
56' - GOLO DO NACIONAL... Agora foi um canto do lado direito... GOUVEIA, ao
segundo poste, sem marcação, eleva-se bem e coloca os madeirenses outra vez em
vantagem... Partida electrizante na Choupana.
54' - GOLO DO NACIONAL... Pontapé de canto na esquerda apontado por Alexandre
Goulart e ADRIANO, no meio da confusão, iguala de novo a partida.
51' - GOLO DO BENFICA... Passe longo de Miguel... Cardozo e Hilário falham e
NUNO GOMES, oportuno, coloca os encarnados pela primeira vez em vantagem na
Choupana.
47' - CARTÃO AMARELO para Tiago.
21:19 - Recomeça o encontro, sem alterações nas equipas.
40' - Tiago isola Nuno Gomes, mas o avançado demora muito tempo a preparar o
remate e deixa-se antecipar pelo guarda-redes Hilário.
32' - Rossato entra na área, mas é desarmado por Hélder quando se preparava para
rematar. Providencial, o capitão encarnado.
30' - GOLO DO BENFICA... Livre directo para o pé de direito de SIMÃO, que
coloca a bola no canto superior esquerdo da baliza de Hilário. Está
restabelecido o empate no Funchal.
27' - Petit atira de longe... A bola sai do estádio. Que péssimo remate do médio
do Benfica.
20' - Cartão amarelo para Geovanni.
19' - Livre na esquerda para Fyssas... Luisão cabeceia, ao lado.
10' - GOLO DO NACIONAL... Livre apontado por Patacas e ADRIANO, à boca da
baliza, de cabeça, inaugura o marcador na Choupana. Moreira estava mal colocado.
5' - Serginho Baiano surge solto na esquerda e tenta o remate... Muito ao lado
da baliza encarnada.