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Jornada #25 - 7  de Marco 2004   

GIL VICENTE - 1 BENFICA - 2

 

CRÓNICA
Gil Vicente-Benfica, 1-2: Sem impulso criativo mas com consistência

O Benfica sofreu muito para chegar à vitória. Quando teve hipóteses de matar o jogo, Paulo Jorge não deixou. Mérito também para o Gil

A verdade é que o Benfica teve de sofrer muito para assegurar os três pontos da ordem, talvez mais do que o previsto, pois de uma forma geral não apresentou os argumentos convincentes. A sua equipa atacou o jogo com razoável intensidade, é verdade, jogou quase sempre para ganhar, e tudo fez para o conseguir (como acabou por se verificar), mas na altura de liquidar, por completo, o seu adversário - primeiros vinte minutos da segunda parte, e quando se encontrava a vencer por 1-0 - falhou no alvo. Ou melhor: Tiago obrigou (47') Paulo Jorge a espectacular defesa, e dez minutos depois Nuno Gomes, na cara do guarda-redes, não conseguiu enganá-lo.

A vitória, tangencial e sofrida do Benfica, deve ser igualmente explicada pela óptima réplica dada pelo Gil Vicente. A sua equipa nunca se rendeu e tudo fez para contrariar os melhores argumentos contrários. Os atletas de Barcelos nunca se entregaram, raramente apresentaram dúvidas ou hesitações, e o golo de Geovanni (30') contribuiu apenas para que reforçassem o seu ânimo. Boa atitude, portanto.

Bom volume

Já que se fala de atitude, realce-se desde já que esse foi, sem dúvida, o principal trunfo colocado em campo pelos atletas de Camacho. O Benfica foi superior ao seu adversário nesse capítulo, e assim se explica também e sobretudo esta vitória difícil e conseguida com grande esforço.

Desde o início, e de um lado e do outro, houve critério e principalmente atrevimento. Cada um dos atletas soube o que fazer em cada momento do jogo, entregando-se aos duelos particulares com a máxima dedicação, e todos souberam jogar de peito aberto, contribuindo, desse modo, para um espectáculo digno, interessante e vivo.

Compreensivelmente, os jogadores do Benfica procuraram resolver logo de entrada o jogo, recorrendo com frequência aos flancos - sobretudo o direito, através de Armando e Geovanni, já que Fyssas deixou Simão quase sempre sem companhia para os consequentes desequilíbrios - mas o estilo apresentado foi quase sempre o mesmo, ou seja, cruzamentos constantes para a área, à espera que Nuno Gomes (sem êxito) conseguisse provocar estragos na defesa gilista.

Essa situação só foi notória, no entanto, a partir dos 20', quando o seu meio-campo conseguiu libertar-se das fortes e atentas marcações do adversário que, acresecente-se, privilegiou o homem-a-homem como solução mais segura para travar a contra-ofensiva encarnada. Qual foi então a estratégia apresentada? Simples: o Benfica impôs maior velocidade no seu futebol, ou melhor, a transição defesa-ataque surgiu de uma forma mais rápida e sobretudo mais firme, sempre pelo lado direito, e a partir daquela altura com muito mais perigo. Geovanni fez o golo (30') e depois de uma óptima iniciativa de Armando. Tudo ficou menos complicado, é certo, mas o Gil Vicente, como já foi dito, nunca se rendeu, e tudo fez para sair da situação de desvantagem, numa atitude louvável e que se prolongou até ao fim do encontro.

Perdidas

A segunda parte arrancou com duas grandes perdidas do ataque lisboeta - Tiago (47') e Nuno Gomes (57') tiveram a oportunidade de arrumar com a questão do resultado, mas Paulo Jorge por duas vezes - e principalmente na primeira delas - devolveu a esperança à equipa. Um forte incentivo que foi devidamente aproveitado por Braima que, aos 66', empatou o jogo, e numa fase em que a qualidade do espectáculo decrescia.

A partir daqui, o Benfica colocou em campo um outro argumento que acabou por ser determinante para a vitória final, ou seja, os seus atletas confirmaram que a motivação deve ser levada quanto possível, e de preferência a 100 por cento, seja o adversário o Gil Vicente ou o Inter de Milão. O principal intérprete dessa revolta, digamos assim, foi Manuel Fernandes que, nove minutos depois de ter entrado, desfez o empate. Um passe de Simão, depois de ter recuperado uma bola perdida por Luís Loureiro, contribuiu para que o jovem atleta entregasse os três pontos à sua equipa.

Uma vitória que se aceita e se justifica, sem dúvida, e conseguida com grande sofrimento; faltou impulso criativo à equipa de José Antonio Camacho, ontem à noite, mas todos souberam compensar essa situação com a consistência. E se juntarmos a aplicação e a disponibilidade de todos, assim fica explicada a vitória, garantida num momento fundamental da vida deste centenário clube que, quinta-feira próxima, entra em campo com o ânimo reforçado. Tem razões para isso.

Árbitro

BRUNO PAIXÃO (3). Um trabalho com dois reparos apenas: Hélder e Ferreira II agarram-se aos 34'. Quem agarra primeiro? Se é Hélder, é "penalty". Se é Ferreira II, o árbitro decidiu bem, ou seja, marcou falta contra o Gil Vicente. Um outro lance: Gaspar (52') travou em falta, na zona frontal, próximo da área, Geovanni. O cartão vermelho ficou por mostrar. O defesa só levou amarelo. Mal.

 

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Gil Vicente: Um novo súbdito no reino de Simão

SIMÃO (4). Sokota não jogou. Miguel e Argel estão lesionados. Rocha e Zahovic ficaram no banco. Petit e Tiago saíram mais cedo. Dos mais utilizados, só Simão, resiste ao "turn-over" de Camacho. O técnico sabe que se poupar o número 20 poupa o adversário a problemas sérios e reduz a actividade da equipa. Ontem, o goleador da Luz não marcou mas assistiu, fez o trabalho da ala esquerda a dobrar e correu até ao último segundo. Pela frente encarou um marcador directo eficaz, Ferreira I, mas nem isso o impediu de ser decisivo.

Manuel Fernandes entrou na história do Benfica 2003/04 ao tomar Barcelos e oferecer três pontos essenciais à nação benfiquista. Um feito suficiente para merecer a consideração da elite reinante da Luz, em especial de Simão Sabrosa, o seu mais ilustre representante.

MOREIRA (3). A defesa incompleta (45') a cruzamento de Ferreira I quase derretia o trabalho efectuado na Noruega. Fora isso, esteve bem.

ARMANDO (4). A ala que ele e Geovanni compuseram resultou ao ponto de ter fabricado o primeiro golo. A defender, o auge da exibição segura foi um corte corajoso no fim, perante dois gilistas.

LUISÃO (3). Caso estranho de inadaptação: descoordenado, nervoso e até azarado (a bola bate-lhe no golo do Gil). Com o decorrer do jogo ganhou confiança e importância. Indicadores de que a retoma pode estar a chegar.

HÉLDER (3). Sereno quase sempre, autoritário num par de ocasiões. A confiança que Luisão foi adquirindo emanou do capitão.

FYSSAS (2). Dois problemas: Yuri e Mauro. O primeiro não resolveu, para o segundo foi encontrando soluções provisórias.

F. AGUIAR (3). Actuação cheia com tudo o que de bom e de mau isso comporta. Um amarelo, duas ou três intercepções falhadas, passe decisivo para o golo inaugural, pulmão de sobra.

PETIT (3). Nos intervalos da luta, soube construir e surgir como opção de passe para companheiros em situação de emergência. Saiu aos 69'.

TIAGO (3). É o remate magnífico aos 47' que ficará para a história da exibição. Mas por trás dele, houve muito suor. Esgotado, saiu aos 83'.

GEOVANNI (3). Um caso de amor à primeira vista com Armando. Graças a combinações felizes, marcou um golo espectacular e fez dois remates perigosos.

N. GOMES (3). Tem um jogo tipo ventoinha: roda para um lado ou para o outro, como placa giratória em torno da qual o ataque encarnado se alimenta. Lutou e criou mas falhou golos (57' e 74').

M. FERNANDES (3). Tem estilo, nome e estrelinha de craque. Audaz no golo, competitivo no resto.

J. PEREIRA (1). Refilão.

ZAHOVIC (1). Calmo.

 

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
GIL VICENTE-BENFICA, 1-2 (Braima 66'; Geovanni 31', Manuel Fernandes 78')

90 m - Final do encontro.

90 m - Bruno Paixão dá cinco minutos de compensação.

87 m - CARTÃO AMARELO para João Pereira, por ter demorar a repor a bola em jogo.

82 m - Substituição no Benfica. Tiago por ZAHOVIC.

81 m - Substituição no Gil Vicente. Luís Loureiro dá lugar a EDINHO.

80 m - Substituição no Gil Vicente. Geovanni por JOÃO PEREIRA.

78 m - GOLO DO BENFICA. Excelente golo do recém-entrado MANUEL FERNANDES, dando o melhor seguimento a um bom passe de Simão. O jovem jogador, em corrida na direita, entra na área contrária e à saída de Paulo Jorge atira para o seu primeiro golo na SuperLiga, dando nova vantagem aos encarnados.

72 m - CARTÃO AMARELO para Geovanni, a castigar entrada sobre Ferreira.

67 m - Substituição no Benfica. Petit por MANUEL FERNANDES.

67 m - CARTÃO AMARELO para Fernando Aguiar, por carregar Braima.

66 m - GOLO DO GIL VICENTE. BRAIMA repõe a igualdade, com um remate de primeira, depois de um mau alívio de Fyssas, na área, a colocar a bola nos pés do médio gilista.

64 m - Substituição no Gil Vicente. PAULO ALVES substitui Fábio Januário, por lesão.

60 m - Primeira alteração no Gil Vicente. Sai Yuri, entra MAURO.

53 m - Simão Sabrosa, na marcação do respectivo livre, atira contra a barreira.

51 m - CARTÃO AMARELO para Gaspar, por carga à entrada na área sobre Geovanni.

47 m - Grande pontapé de Tiago à entrada da área, com Paulo Jorge a corresponder com uma excelente defesa para canto.

46 m - Recomeça o desafio. Nem Camacho nem Luís Campos procederam a quaisquer alterações nos onzes.
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45 m - Intervalo.

45 m - Na melhor oportunidade do Gil Vicente em toda a partida, Yuri desperdiça o tento da igualdade frente a Moreira, depois deste não conseguir segurar uma bola cruzada da direita.

45 m - Bruno Paixão dá dois minutos de compensação.

37 m - Em lance individual, Fábio Januário livra-se de Hélder e atira... por cima da baliza de Moreira.

34 m - CARTÃO AMARELO para Ferreira II, por protestos.

31 m - GOLO DO BENFICA. Grande golo de GEOVANNI. Armando em corrida na direita, após passe de Fernando Aguiar, centrar atrasado já perto da linha de fundo, onde aparece o brasileiro a inaugurar o marcador com um excelnte pontapé.

26 m - CARTÃO AMARELO para Luisão, carga feia sobre Ferreira II.

19 m - O Benfica sobe de rendimento e quase abre o activo. Bom passe de Nuno Gomes a colocar Geovanni na frente do guardião gilista, que consegue evitar o primeiro para os encarnados com uma grande defesa.

17 m - CARTÃO AMARELO para Luís Loureiro, por carga sobre Petit.

17 m - Momento de perigo para o Gil Vicente. Canto para os encarnados apontado por Petit, e Fyssas, pressionado por dois adversários, a cabecear um pouco ao lado da baliza de Paulo Jorge.

11 m - O Gil pressiona. Fábio Januário, isolado na direita a passe de Yuri, quase inaugura o marcador, com um pontapé cruzado. A bola passa a centímetros do poste esquerdo.

5 m - Boa resposta do Benfica, com um remate de Simão ao lado, a passe de Geovanni.

2 m - Bom lance de contra-ataque do Gil Vicente. Luís Coentrão, em corrida na direita, cruza para o segundo poste, onde aparece Fábio Januário a rematar um pouco ao lado.

19:17 - Começa a partida. Sai o Benfica.
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25ª JORNADA DA SUPERLIGA

GIL VICENTE-BENFICA
Estádio Adelino Ribeiro Novo, em Barcelos
Árbitro: Bruno Paixão, de Setúbal
Hora: 19:15


GIL VICENTE
Paulo Jorge; Ferreira, Nunes, Gaspar e Nuno Amaro; Braima, Luís Loureiro e Luís Coentrão; Yuri, Ferreira II e Fábio Januário.

Suplentes
Adriano, Mauro, Hugo Luz, Paulo Alves, Rui Figueiredo, Marcos António e Edinho.

Treinador
Luís Campos

BENFICA
Moreira; Armando, Hélder, Luisão e Fyssas; Fernando Aguiar, Petit e Tiago; Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Suplentes
Bossio, Cristiano, Zahovic, Alex, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes e João Pereira.

Treinador
José Antonio Camacho

 

 

 


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