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Jornada #29  - 3 de Abril  2003   

RIO AVE - 1 BENFICA - 1

 

CRÓNICA
Rio Ave-Benfica, 1-1: Águia não soube nadar na corrente forte
O jogo foi vivo, repartido, emotivo, mas o Rio Ave esteve mais próximo de o vencer, sobretudo quando o Benfica deu o "estoiro"


O leão "afogou-se" há duas semanas neste Rio, a águia esteve quase a ter a mesma sorte, viu-se aflita na luta contra a "corrente", esbracejou, debateu-se, mas conseguiu chegar à margem, exausta, mas sem se "afogar".

O Rio Ave confirmou que é uma equipa bem organizada, compacta, com alguns jogadores claramente acima do valor médio de uma equipa que ambiciona a manutenção e, sobretudo, com um sistema de jogo que se adequa às características desses jogadores.

O Benfica procurou impor o seu jogo, mas voltou a evidenciar uma pecha que não é de agora: falta-lhe capacidade de remate no último terço do campo, situação que se agravou com a ausência de Sokota. E o Rio Ave não só encaixou muito bem no sistema de jogo encarnado em termos de organização defensiva, como demonstrou sempre capacidade para sair para o ataque.

Sem contundência

O jogo foi vivo, repartido, teve profundidade, lances de perigo junto das duas grandes áreas, mais junto da de Moreira do que de Mora. O Benfica fazia uma boa circulação de bola até à entrada da área, mas depois faltava contundência no último terço do campo.

Os dois laterais (Miguel e sobretudo Fyssas, que 'estoiro' deu o grego na 2ª parte) estavam condicionados porque Carlos Brito jogou sempre com dois homens abertos nas alas, ora Evandro, ora Jacques, ora Paulo Jorge.

No meio-campo, à falta de discernimento de Aguiar, juntava-se o défice de ritmo de Zahovic, que passa sempre bem a bola, mas não tem dinâmica para surgir nos espaços vazios a tentar finalizar. Acresce, ainda, que Nuno Gomes, desapoiado, não faz o que Sokota faz de costas para a baliza, tem muito mais dificuldade em segurar a bola e permitir a subida dos médios, jogando com eles. Donde, o perigo para o Rio Ave vinha, sobretudo, de Simão, pelas dificuldades que criou na 1ª parte a Zé Gomes.

Havia ainda as diagonais de Tiago, mas Carlos Brito sabia da ameaça que representavam e Niquinha e Mozer fizeram um bom trabalho de cobertura, revezando-se nessa tarefa, já que Zahovic, muito mais estático, suscitava menos preocupação. Mas pior que o esloveno esteve Geovanni, sem "nervo" e sem inspiração, o que limitou a opções ofensivas.

Neste contexto, não surpreendeu que o Benfica, apesar da dinâmica que o jogo adquiriu, e dos lances junto das duas áreas, o máximo que conseguiu, verdadeiramente, foi um lance em que Tiago apanhou a defesa de Vila do Conde em contrapé e lançou Geovanni, e mesmo à beira do intervalo, um remate de Hélder à figura de Mora.

O Rio Ave praticava um futebol mais directo, no qual revela uma boa rotina, procurando sempre pôr a bola no chão e sair a jogar, explorando a velocidade e o dinamismo dos seu trio atacante, em particular Paulo César e Evandro. Além disso, são jogadores tecnicamente evoluídos, que seguram bem a bola e criam problemas a qualquer defesa. Aos 15' e aos 26', Niquinha e Evandro estiveram à beira de marcar, mas o remate saiu-lhes ligeiramente por alto.

O jogo estava equilibrado, vivo, emotivo. Prometia. Na 2ª parte, o Rio Ave chegou cedo ao golo e obrigou Camacho a apressar o que já lhe iria em mente: tirar os dois jogadores de menor rendimento em termos ofensivos, Zahovic e Geovanni para insuflar "sangue novo" com as entradas dos putos João Pereira e Manuel Fernandes.

Estoiro do Benfica

Houve uma reacção imediata e enérgica do Benfica. Houve um período de dez minutos em que a equipa encostou o Rio Ave lá atrás, pressionou mais, imprimiu maior velocidade às trocas de bola. Cinco minutos depois do 1-0, Tiago restabeleceu o empate e o Benfica parecia relançado para dar a volta ao jogo.

Mas foi sensação pouco duradoiro, porque a equipa quebrou fisicamente nos últimos vinte minutos, apesar das entradas de João Pereira e Manuel Fernandes. Houve vários "estoiros" que se ouviram ali perto, na Póvoa de Varzim, o mais gritante deles o de Fyssas. Não podia com uma "gata pelo rabo", de tal modo que Camacho se viu obrigado a substituí-lo a poucos minutos do fim por Armando, face à ameaça da entrada de Gama. Mas houve mais, Simão, Tiago... a quebra foi quase geral, embora alguns casos fossem mais evidentes que outros.

Quem soube aproveitar foi o Rio Ave, que foi para cima do Benfica no último quarto de hora. A equipa estava claramente mais fresca e obrigou o Benfica a defender junto à sua área e a terminar o jogo com o credo na boca.

Árbitro

Paulo Paraty (2). Cometeu dois erros importantes, ao deixar passar em claro dois lances faltosos, aos 65' e 67', de Hélder sobre Paulo César e de Manuel Fernandes sobre Jaime, ambos quase sobre a linha da grande área. Aos 59' resolveu dar a Lei da vantagem quando Nuno Gomes foi carregado por Danielson. O Benfica viu-se privado de um livre susceptível de resultar em golo.

 

APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Rio Ave: Carregar o piano e também a orquestra
Quase mete dó ver o talentoso Tiago a carregar não apenas o piano mas também toda a orquestra. Dele foi o golo, dos seus pés saíram as melhores aberturas e do seu coração a irreverência e a raça que por norma faltou a quase todos os outros. O Benfica joga futebol de ouvido. Admirável seria não desafinar...


MOREIRA (3). Sete intervenções quase todas de pequeno grau de dificuldade. Resolveu bem quando Evandro apareceu solto a cabecear e fechou com uma sapatada tola a que Gama respondeu com um remate também desastrado.

MIGUEL (3). Mais uma "assistência" para o inimigo, esta perfeitamente acidental, com a bola a bater-lhe e a trair Moreira no golo do Rio Ave. Fez três cruzamentos e esteve quase a marcar quando tentou, com 1-1, fazer um "chapéu" a Mora, bem resolvido por este.

LUISÃO (3). A sua envergadura impressiona e quando acelera parece que vai deixar cair algumas peças. Mas não. Luisão é um defesa-paredão que começa a perceber o nosso futebol. E que ontem resolveu razoavelmente os problemas centrais.

HÉLDER (3). O capitão não deu espaço para as acelerações dos avançados vila-condenses, não fez uma só falta e foi determinado no um para um.

FYSSAS (1). Permitiu que Jaime cruzasse sem qualquer pressão para o golo vila-condense e pouco depois foi sentado no relvado pelo mesmo jogador. O lateral-esquerdo grego conseguiu três cruzamentos e sofreu três faltas, que é o que de melhor se pode dizer da sua "exibição".

FERNANDO AGUIAR (2). Com Petit na bancada, o chamado "Robocop" aos dois segundos podia ter visto um cartão amarelo. Viu-o pouco depois (aos 6'). O "trinco" abandonou a sua posição duas vezes para tentar provocar a ruptura no ataque e nessas ocasiões deu origem a dois perigosos contra-ataques. Erros de palmatória não apenas imputáveis a si.

TIAGO (4). Um grande golo quase na resposta ao tento sofrido, um gesto de decisão, de definição e de potência. Tiago tinha ameaçado, um pouco antes, e desta vez não perdoou, pegou ele na bola, foi por ali fora e disparou para as redes, pelo menos diminuindo os estragos de mais uma noite de desilusão para uma maioria cada vez mais silenciada pela seca severa provocada por promessas incumpridas. Não é o caso do protagonista de ontem, de anteontem e de amanhã deste Benfica. Esse prometeu e já é - um grande jogador.

ZAHOVIC (1). Mordido pela mosca tsé-tsé desde que vestiu a camisola do Benfica, o esloveno fez um cruzamento e duas faltas. O roupeiro do Benfica não precisou de mandar o seu equipamento para a lavandaria.

GEOVANNI (1). Na primeira parte fez seis cruzamentos mas só numa dessas ocasiões conseguiu passar por Miguelito. Um extremo que não se projecta para ganhar a linha e cruzar serve para quê?

NUNO GOMES (2). Dois remates e uma assistência que Tiago quase aproveitou. Exibiu alguma revolta mas deixou-se depois emparedar por Franco e Danielson.

SIMÃO (3). Tirou cedo um cartão amarelo ao seu marcador -- José Gomes -- e sempre que apareceu foi para fazer alguma diferença. Apenas apareceu pouco.

MANUEL FERNANDES (3). Mais uma vez entrou bem no jogo,. Pelo menos agitou as águas do mar morto..

JOÃO PEREIRA (2). Uma boa combinação com Manuel Fernandes, vontade, mas muita sofreguidão. Depressa e bem há pouco quem.

ARMANDO (1). Decidido.

 

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
RIO AVE-BENFICA, 1-1 (Evandro 49'; Tiago 55')


21:07 - FINAL DA PARTIDA.

90 m - Paulo Paraty concede mais quatro minutos de compensações.

86 m - Substituição no Benfica. ARMANDO rende Fyssas.

83 m - Iniciativa de Gama pela direita, cruzamento para a área e Miguel antecipa-se a Evandro, cortando de cabeça pela linha de fundo.

82 m - Substituição no Rio Ave: GAMA rende Jaime.

81 m - Vandinho remata rasteiro de fora da área e Moreira defende com total segurança.

79 m - Cartão AMARELO a Tiago, por falta sobre Evandro.

77 m - Grande trabalho de Miguel no flanco direito, entrando na área e livrando-se de Miguelito antes de rematar em jeito com o pé esquerdo para uma defesa fantástica de Mora, que voa e devia a bola sobre a barra.

74 m - Cruzamento da direita de Vandinho e Evandro, livre de marcação ao segundo poste, cabeceia de cima para baixo, com Moreira a desviar sobre a trave.

70 m - Contra-ataque benfiquista com Nuno Gomes, descaído sobre a direita, a concluir com um remate rasteiro para mais uma defesa segura de Mora.

66 m - Evandro, sobre a esquerda, dispara muito por alto quando estava em boa posição para visar a baliza de Moreira.

65 m - Excelente trabalho de Manuel Fernandes, a entrar na área e a rematar para defesa atenta de Mora.

64 m - Cartão AMARELO a Jaime, por protestos.

58 m - Remate de Manuel Fernandes de fora da área mas por cima da barra.

55 m - GOLO DO BENFICA, por TIAGO
Tiago, de fora da área, remata forte e surpreende Mora que nem esboça a defesa. O Benfica restabelece o empate...

54 m - Dupla substituição no Benfica: JOÃO PEREIRA e MANUEL FERNANDES rendem Geovanni e Zahovic.

52 m - Bom cruzamento da esquerda de Zahovic, excelente assistência de Nuno Gomes a solicitar, de cabeça, a entrada da Tiago, que remata em esforço ligeiramente ao lado do poste esquerdo.

50 m - Cartão AMARELO a Simão, por falta sobre Zé Gomes.

49 m - GOLO DO RIO AVE, por EVANDRO
Cruzamento de Jaime do flanco direito para Evandro, ao segundo poste, cabecear e a bola acaba por entrar na baliza de Moreira após bater na cabeça de Miguel e na trave. Um golo caricato que dá vantagem aos vilacondenses.

46 m - O Rio Ave regressa dos balneários com VANDINHO no lugar de Jacques.

20:16 - COMEÇO DO SEGUNDO TEMPO.

20:03 - FINAL DA PRIMEIRA PARTE.

45 m - Paulo Paraty concede mais dois minutos de compensações.

44 m - Hélder tenta a sua sorte de fora da área mas Mora recolhe a bola sem problemas.

43 m - Livre directo de Evandro... sobre a trave.

41 m - Cruzamento de Zahovic e Franco quase enganava Mora ao tentar impedir que a bola chegasse a Nuno Gomes.

40 m - Contra-ataque dos vila-condenses, com Jacques e Paulo César a combinarem mas o brasileiro acaba por demorar muito e permitir o corte de Fernando Aguiar.

34 m - Tiago recupera a bola a meio campo e lança Geovanni na direita, com o brasileiro a cruzar para o desvio de Nuno Gomes... por cima.

30 - Passe de Miguelito a lançar Jacques na área benfiquista mas Luisão executa o corte e cede pontapé de canto.

26 m - Bela defesa de Moreira, a desviar um excelente remate de Niquinha após centro atrasado de Zé Gomes do flanco direito.

22 m - Cartão AMARELO a Zahovic, por falta sobre Paulo César.

15 m - Contra-ataque do Rio Ave, com Paulo César a atrasar para Evandro, à entrada da área, a rematar por cima da barra.

11 m - Mora segura sem problemas um cruzamento de Geovanni.

7 m - Jaime, de livre directo, remata à figura de Moreira, que segura apenas à segunda.

6 m - Cartão AMARELO a Fernando Aguiar, por protestos.

5 m - Cruzamento de Paulo César da direita, Evandro domina com o peito no flanco contrário e tenta servir Jaime, mas Geovanni recupera e antecipa-se ao médio vila-condense.

2 m - Cartão AMARELO a Franco, por falta sobre Simão.

19:15 - INÍCIO DA PARTIDA.

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SUPERLIGA - 29ª JORNADA

RIO AVE-BENFICA

Estádio do Rio Ave, em Vila do Conde
Hora: 19:15
Árbitro: Paulo Paraty (Porto)

RIO AVE - Mora; Zé Gomes, Franco, Danielson e Miguelito; Niquinha, Jaime e Mozer; Jacques, Paulo César e Evandro.
Treinador: Carlos Brito.
Suplentes: Candeias, Alexandre, Valente, Ronny, Vandinho, Idalécio e Gama.

BENFICA - Moreira; Miguel, Hélder, Luisão e Fyssas; Fernando Aguiar e Tiago; Geovanni, Zahovic e Simão; Nuno Gomes.
Treinador: José Antonio Camacho.
Suplentes: Bossio, Armando, Argel, Alex, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes e João Pereira.

 

 


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