CRÓNICA
Benfica-P. Ferreira, 2-1: Última reserva de ouro salvou a pele da águia
Geovanni salvou equipa sem ideias, funcionando como arma de Camacho (a
única que tinha no banco) para ganhar um jogo complicado
Foi um Benfica estranho, aquele que venceu o Paços de Ferreira na fria
noite de ontem na Luz. Uma equipa preocupada com a ausência da dupla que
traça a geometria, gere os ritmos e dá consistência estrutural (Tiago e
Petit) e que, perante o penúltimo classificado da SuperLiga, se limitou a
cumprir a obrigação de assumir o papel de equipa mais forte. Fê-lo sem
convicção, não avaliando os riscos que correu, alimentando a construção do
jogo com uma inércia que chegou a ser confrangedora.
O problema era muito simples: bastava dar uma vista de olhos pelo banco
dos suplentes para podermos concluir que José Antonio Camacho não dispunha
de soluções para alterar o rumo dos acontecimentos, caso o desenrolar do
encontro lhe fosse desfavorável.
Quando Zé Manuel empatou o jogo, depois de o Benfica ter desperdiçado
algumas boas ocasiões para fazer o segundo golo, tudo voltava a estar em
aberto - e o Paços chegou até a dar sinais de que pretendia ir um pouco
mais além.
Curiosamente, a águia salvou a pele com a última reserva de ouro que tinha
guardada no banco para uma situação de desespero. Camacho lançou Geovanni
e só mesmo o brasileiro, de entre os suplentes, poderia alterar o rumo dos
acontecimentos. Decisão coroada de êxito, com um belo golo que o recoloca
na primeira linha das opções para um lugar no onze - a sua carreira na Luz
tem sido autêntica montanha-russa entre a nulidade e o superior talento
que possui.
Paços tranquilo
O Paços de Ferreira entrou na Luz muito tranquilo, muito senhor de si, das
suas dificuldades e das armas de que dispõe; a equipa soube temperar as
emoções da aflição que vive na tabela e da escassa responsabilidade no
enquadramento da visita a um grande.
José Mota apostou em quatro defesas (Cadú sem marcação) e entregou a Paulo
Sousa a tarefa de vigiar Nuno Gomes - o médio funcionou como vértice de um
triângulo composto ainda por Pedrinha (de olhos postos em Fernando Aguiar)
e Glauber (vigiando os movimentos de Manuel Fernandes).
Na frente, Beto actuou na esquerda para travar as subidas de Miguel,
enquanto Ricardinho e Zé Manuel apostavam tudo na velocidade, procurando a
sua sorte face a uma dupla de centrais que sofre mais com jogadores
rápidos.
Benfica mole
Perante o acerto das marcações que reduziam o espaço de manobra; face à
complexidade dos obstáculos criados pelo adversário nos caminhos de acesso
à baliza, o Benfica respondeu com pouca segurança. A equipa assumiu o
comando do jogo, cultivou a posse de bola mas revelou-se demasiado
estática - cumpriu o guião sem brio; foi ofensiva mas condicionada pela
ideia de que o golo acabaria por surgir mais tarde ou mais cedo, com mais
ou menos inspiração.
Sobretudo por isso, pela fraca contribuição encarnada, os primeiros 45'
foram de fraca qualidade. Nesse período a equipa revelou-se muito mole
para utrapassar um adversário mais empenhado. E honra seja feita ao Paços,
que mostrou saber o que estava a fazer e o que queria do jogo.
A prova do estatismo global dos encarnados foi detectável no maior de
todos os seus pecados na noite de ontem: as poucas soluções dadas pelo
colectivo ao portador da bola, situação que dificultou, principalmente, a
manobra dos dois médios de zona central - o generoso mas pouco hábil
Fernando Aguiar e talentoso mas inexperiente Manuel Fernandes.
Os golos
O primeiro golo do Benfica, logo a seguir ao intervalo, serviu para
acalmar os adeptos mas não para empolgar verdadeiramente a equipa. Os
visitantes encaixaram o golpe, demoraram a reagir e quando o fizeram
abriram a muralha e lançaram-se à aventura do empate.
Enquanto não assimilaram a nova realidade, os benfiquistas criaram
ocasiões para arrumar a questão; finalmente encontravam espaço, e enquanto
tiveram iniciativa tudo fazia prever que o segundo tento estava mesmo a
chegar.
Não chegou e, pelo contrário, foi o Paços que atingiu a igualdade. O tempo
tornou-se então inimigo de José Antonio Camacho: a juntar ao desfalque com
que abordou o embate, via algum cansaço apoderar-se dos seus jogadores,
com reflexos evidentes, por exemplo, nos dois avançados que assinaram uma
bela exibição.
No banco tinha um guarda-redes (Bossio), três defesas (Armando, Argel e
Hélder), um jovem que dificilmente poderia resolver e também tinha...
Geovanni. O brasileiro não era a arma secreta; era a única disponível para
alterar o rumo dos acontecimentos a partir do banco dos suplentes.
E não é que alterou mesmo?
Árbitro
PAULO PEREIRA (3). Nas jogadas mais polémicas (as poucas que se registaram)
agiu sempre bem, razão pela qual não está ligado ao resultado. Mas não
gostámos da condução do jogo, viagem na qual revelou alguns problemas
relacionados com a lei da vantagem (que transformou por vezes em benefício
do infractor) e com a má avaliação de muitos lances de contacto físico.
APRECIAÇÃO À EQUIPA
Benfica frente ao Paços: Geo... vem do banco o tiro para a vitória
Só no último quarto de hora, Camacho lançou o único trunfo credível que
tinha no banco para tentar o segundo golo, apesar de o Benfica da segunda
metade ter surgido logo num 4x3x3 mais assumido. Valeu a consistência
defensiva num onze no qual os centrais brilharam mais
MOREIRA (3). Sem quaisquer hipóteses no livre directo que Zé Manuel cobrou
de forma esplêndida. Muito dinâmico e rápido a (re)colocar a bola.
MIGUEL (3). Entrou "frio" e talvez por isso permitiu que logo aos 2' Beto
cabeceasse com perigo. Melhorou numa segunda parte de maior pendo atacante,
com "origem" naquele lance à beira do intervalo (44'), quando cruzou para
Sokota e Nuno Gomes... falharem o cabeceamento.
LUISÃO (4). A tarde-noite em que tornou a "ressuscitar" das trevas,
impondo-se com a autoridade do seu 1,92 m. Podia e merecia ter marcado aos
32' (cabeçada fraca) e 66' (o "tiro" de pé esquerdo esbarrou em alguém...).
RICARDO ROCHA (4). Parece mais leve e menos faltoso. A sua excelente
leitura dos lances permitiu-lhe ser um "pronto-socorro" de classe.
FYSSAS (3). O entendimento com Simão progride de jogo para jogo, a...
prometer boas jogadas em 2004/05. Desta vez não foi substituído...
FERNANDO AGUIAR (3). Entre a troca de botas (9') e o primeiro sinal
atacante ("tiraço" aos 39') houve tempo a mais (meia hora), mas Fernando
também não queria deixar o "miúdo" (Manuel Fernandes) sozinho no meio-campo
defensivo... "Tirou" dois cartões amarelos (a Pedrinha e Ricardo André)
e... viu outro (por falta sobre Manduca).
JOÃO PEREIRA (3). Jogo de muitos bons dribles e menor consistência
defensiva. Suspirou de alívio quando viu Geovanni substituí-lo, pois há
muito que "pedia" a saída.
MANUEL FERNANDES (3). Aos 12' podia ter marcado, após bom passe de Nuno
Gomes, e aos 32' ofereceu o golo a Luisão, respectivamente, mas só na
segunda parte foi autorizado a subir...
SIMÃO (4). Podia ter marcado aos 13', mas redimiu-se com o canto que deu
origem ao primeiro golo e com dois cruzamentos (57' e 65') que podiam ter
dado outros dois golos a Nuno Gomes. E ainda tirou um cartão a Esteves...
SOKOTA (3). Assistiu Simão aos 13' e lutou como sempre.
NUNO GOMES (4). Marcado individualmente por Paulo Sousa, Nuno, logo aos
12', assistiu com um bom passe Manuel Fernandes, que podia ter aberto o
marcador. O golo que assinou reflecte a sua apetência pela baliza e a
maneira inteligente como foge às marcações. Exemplo disto foi a forma como
se libertou aos 57' e 65', acabando por desperdiçar os lances por falta de
força nos remates. Depois de "tirar", dois amarelos (a Cadú e Ricardo
André), ainda assistiu Geovanni para o 2-1...
GEOVANNI (3). Um golo muito importante a demonstrar onde deve sempre jogar.
HÉLIO PINTO (0). Entrou e Simão foi para a direita.
ARMANDO (0). Entrou para o lado direito da defesa...
MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
BENFICA-P. FERREIRA, 2-1 (Nuno Gomes 47', Geovanni 86'; Zé Manuel 67')
90 m - Final do jogo.
90 m - CARTÃO AMARELO para Geovanni.
90 m - Substituição no Benfica. Sai Sokota, entra HÉLIO PINTO.
90 m - Substituição no Benfica: sai Miguel, entra Armando.
90 m- O árbitro dá quatro minutos de descontos.
89 m - CARTÃO VERMELHO, por acumulação para Ricardo André
88 m - Substituição no Paços Ferreira. Manduca por PUNTAS.
86 m - GOLO DO BENFICA. GEOVANNI, à entrada da área, remata forte, após
assistência de Nuno Gomes, e põe a equipa da Luz na frente do marcador.
79 m - CARTÃO AMARELO para Ricardo André.
75 m - Substituição no Benfica. João Pereira sai para a entrada de
GEOVANNI.
66 m - GOLO DO P. FERREIRA. ZÉ MANUEL repõe a igualdade, na cobrança de um
livre, com um espectacular pontapé em arco, a sobrevoar a barreira
encarnada.
56 m - CARTÃO AMARELO para Ricardo Esteves por falta sobre Simão.
54 m - Susbtituição no P. Ferreira. Glauber por MANDUCA.
47 m - GOLO DO BENFICA. Na sequência de um canto, NUNO GOMES aproveita uma
bola aliviada por Ricardo Esteves, e de pé direito, ao segundo poste, abre
o marcador.
46 m - Recomeça a partida.
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45 m - Intervalo.
42 m - CARTÃO AMARELO para Pedrinha, a castigar falta sobre Fernando
Aguiar.
36 m - Nuno Gomes atira forte de longe, mas a bola sai ao lado.
31 m - Livre apontado por Manuel Fernandes, para o cabeceamento de Luisão.
Pedro evita o pior com uma excelente intervenção.
30 m - CARTÃO AMARELO para Cadú, por carga sobre Nuno Gomes.
22 m - Ricardo Esteves, na direita em lance de contra-ataque, cruza com
perigo, mas Manuel Fernandes consegue o corte.
15 m - Manuel Fernandes atira, de longe, à baliza de Pedro, mas a bola sai
por cima.
8 m - Livre para o Benfica. Simão e Sokota estão junto à bola, mas é o
croata que executa, atirando contra a barreira.
19:15 - Início do encontro. Sai o Paços de Ferreira.
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30ª JORNADA DA SUPERLIGA
BENFICA-P. FERREIRA
Estádio da Luz, em Lisboa
Árbitro: Paulo Pereira, de Viana do Castelo
Hora: 19:15
BENFICA
Moreira, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Fyssas, Fernando Aguiar, João
Pereira, Manuel Fernandes, Simão, Sokota e Nuno Gomes.
Suplentes
Bossio, Armando, Argel, Cristiano, Geovanni, Hélder e Hélio Pinto.
Treinador
José Antonio Camacho
P. FERREIRA
Pedro, Ricardo Esteves, Cadú, Ricardo André, Luís Miguel, Pedrinha,
Glauber, Paulo Sousa, Beto, Zé Manuel e Ricardinho.
Suplentes
Batista, Zé Nando, Puntas, Manduca, Júnior, Filó e Fernando Gaúcho.